O trecho da Avenida Júlio Assis, entre a Rua Campo Largo e a Rodovia Vitório Traiano (Contorno Leste), que possui 1,8 quilômetros, concentra mais de 70% de todas as reclamações de perturbação do sossego do município.

Uma ação específica da Polícia Militar contra a perturbação do sossego no prolongamento da Avenida Júlio Assis Cavalheiro, em Francisco Beltrão, está retornando bons resultados para os moradores. O local é bastante frequentado por jovens, que estacionam seus carros, ligam o som alto e viram a madrugada ingerindo bebidas alcoólicas. Assim como a via principal, os frequentadores ocupam os loteamentos Alto da Júlio, Amábile e Perin.
Além do lixo que eles deixam pelo caminho, os moradores vizinhos não conseguem dormir nos finais de semana devido ao barulho. “A gente já colocou a casa à venda, porque não tem mais condições. Afeta nossa saúde e até mesmo o desempenho no trabalho. Como a gente vai trabalhar no outro dia neste estado?”, reclama Silvana Baiocco. Ela diz que crianças e idosos, entre seus vizinhos, enfrentam o mesmo problema, não conseguem dormir.
Segundo informações da Polícia Militar, mais de 70% de todas as reclamações de perturbação do sossego do município são oriundas do prolongamento da Júlio. A esperança dos moradores está numa força tarefa da Polícia Militar criada para atender aquele ponto da cidade. Uma equipe fica de prontidão nos fins de semana para atender os chamados dos moradores. E o trabalho tem dado resultado. “Eu diria que antes eu dormia 50% de uma noite, agora posso dizer que estou dormindo 70%. Então temos que parabenizar o trabalho da Polícia Militar”, diz.
Os moradores agora têm um grupo de WhatsApp com canal direto com os policiais. Em qualquer situação de perturbação do sossego, os policiais são acionados para verificar qual ilícito está ocorrendo. De 17 de agosto até 27 de novembro, a equipe da Polícia Militar fez 18 operações, com 612 veículos abordados, 907 pessoas fiscalizadas, 208 autos de infração lavrados e 173 veículos removidos. A PM notificou 20 pessoas que se negaram a fazer o teste de bafômetro, flagrou nove motoristas dirigindo sob efeito de álcool e prendeu quatro pessoas pelo crime de embriaguez ao volante. Além de atendidas 34 ocorrências de perturbação do sossego e apreensão de 14 aparelhos de som.
Esforço para coibir excessos
O comandante da 1ª Companhia do 21º Batalhão de Polícia Militar, tenente Anderson José Srutkoske Frossard, comenta que já faz um tempo que a PM intensificou o patrulhamento naquela localidade. Agora, mais ainda, com uma estratégia diferente, para atender com mais rapidez e prontidão as famílias do prolongamento da Júlio. Essa equipe, conforme disse o oficial, faz o patrulhamento de toda a cidade, mas também se dedica às operações do prolongamento.
“Se a gente não olhasse com mais atenção para aquele local poderia se tornar uma coisa muito ruim. O crescimento da cidade é nossa preocupação, mas precisa crescer com ordem. E ali a gente estava identificando excesso de aglomeração, principalmente agora com a pandemia do coronavírus, excesso de lixo jogado nas calçadas e canteiros laterais. E também os veículos, principalmente com escapamento aberto, alta velocidade. Jovens embriagados”, conta.
A Polícia Militar também tem feito a fiscalização em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente com emissão de multas ambientais (pelo som alto), que são mais pesadas financeiramente para o infrator. “A gente fez um grupo com os moradores locais e a gente quer expandir para os demais moradores. E o resultado tem sido muito satisfatório. Essas operações, principalmente de trânsito, ocorrem nos horários de maior reclamação dos moradores” , conclui.
Fiscalização surtiu efeito
“Agora posso falar que está dez vezes melhor que no início, quando fomos morar lá”, conta Gilvano Frandaloso, que reside no local há quatro anos. A casa fica distante em torno de 50 metros da Avenida Júlio Assis Cavalheiro. “A Polícia Militar está com uma equipe só para o prolongamento e deu resultado, de um mês para cá melhorou muito”, elogia.
Jovens provocam a polícia
Volmar Scheid, que também reside nas proximidades, diz que o trabalho da Polícia Militar está rendendo bons resultados. “Pena que às vezes os jovens fazem por provocação. Esperam a polícia sair e aumentam o som para provocar. Mas o trabalho da polícia está ajudando sim, acredito que irá render um excelente resultado”, comemora.




