Negócios
De janeiro a novembro, o sistema de consórcios vendeu 1,21 milhão de novas cotas, atingindo um total de 2,77 milhões de adesões. Conforme destaca a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), o nível de adesões superou em 4,9% o volume registrado nos primeiros 11 meses de 2019, que foi de 2,64 milhões, sendo o maior atingido na última década.
Com os negócios fechados no período, o setor faturou R$ 150,53 bilhões. A quantia ultrapassou em 23,4% os R$ 122,01 bilhões alcançados no ano passado.
Somente em novembro, foram contabilizadas 130.650 cotas de veículos leves, 92.640 de motocicletas, 45.350 de imóveis, 13.350 dos veículos pesados e 7.140 dos eletroeletrônicos. A menor parcela foi a de serviços, com 5.810 cotas.
Consorciados contemplados
No balanço dos 11 meses, observa-se que, apesar das novas cotas, houve queda na quantidade de pessoas contempladas pelos consórcios, que conseguem adquirir o bem ou serviço pelo que pagaram mediante sorteio ou lance maior do que o dado pelos demais membros do grupo. O acumulado no período foi de 1,09 milhão de consorciados contemplados, soma 2,7% menor do que a de 2019, de 1,12 milhão.
Os créditos disponibilizados aos contemplados cresceram 22,2%, chegando a R$ 47,01 bilhões. De janeiro a novembro de 2019, o total havia sido de R$ 38,47 bilhões.
A Abac informa que, em novembro, o valor médio do tíquete subiu 29,9%, passando de R$ 49,04 para R$ 63,78, em relação a 2019. Na comparação com outubro deste ano, o aumento foi de 7,1%.
Efeitos da pandemia e perfil de interessados
O presidente da regional de São Paulo da Abac, Vitor Cesar Bonvino, diz que a pandemia de Covid-19 provocou na população em geral reflexões sobre a importância de se poupar dinheiro e aplicá-lo melhor.
“As pessoas, ficando em casa, começaram a meditar, a questionar até os próprios consumos”, argumenta, adicionando que houve bastante procura por consórcios de reforma de imóveis, desde que a crise sanitária começou.
Bonvino acredita que, embora tal fator tenha peso nos resultados do setor, há, ainda, uma confluência de vários outros. Ele cita o baixo rendimento da poupança, o aumento da taxa de desemprego no País e a inflação.
Perfil das pessoas
Sobre o perfil de pessoas que acabam aderindo à modalidade de consórcio, o presidente da regional de São Paulo da Abac, Vitor Cesar Bonvino, comenta que não é possível afirmar com certeza que são, em sua maioria, de baixa renda, mas que suspeita que haja relação com essa parcela da população. “Uns, por exemplo, podem pagar junto com o aluguel, outros não podem, outros já têm patrimônio e estão ampliando, para ter renda, outros para trocar, fazer melhorias na sua residência”, pontua, informando que, em janeiro, a entidade deve divulgar uma pesquisa que revela mais detalhadamente quem é que mais se interessa por consórcios.
“No caso dos imóveis, todos são de longo prazo, 200 meses, 240 meses. Então, será que alguém fez uma compra por impulso? O que vem de informações de equipes de venda é que não, é ao contrário, são pessoas que já deixaram o dinheiro na poupança, que rende pouco ao ano, tiram aquele dinheiro, se programam para dar um lance ou ficam se programando, porque, ao ter o imóvel, vão ter renda”, completa.
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