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Dom Edgar Ertl, bispo da Diocese de Palmas-Francisco Beltrão, e o pastor Ildo Franz, da Igreja Luterana, de Caçador (SC), celebraram juntos o culto ecumênico de abertura da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2021 no Sudoeste.
A celebração religiosa aconteceu na Casa de Formação em Beltrão e foi restrita. Participaram também alguns padres, pastores, religiosas e a equipe de liturgia.Antes da cerimônia, dom Edgar e o pastor Ildo concederam entrevistas à imprensa e destacaram a importância do diálogo inter-religioso, neste momento da humanidade, em que há um extremismo de posições ideológicas.
Neste ano, o tema da CF é “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor” e o lema: “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade” (citação bíblica Ef2, 14ª). A CF de 2021 é promovida pela CNBB e o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic) por abordar um tema ecumênico. Anualmente, na Quaresma, período que antecede a Páscoa, a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), as arquidioceses, dioceses e paróquias refletem um tema escolhido no ano anterior. Confira parte das entrevistas com o bispo diocesano e o pastor luterano.

JdeB – Qual a importância da Igreja Luterana estar junto de outras igrejas?
Pastor Ildo – Dizendo assim, que existe apenas uma Igreja, existe somente a igreja de Jesus Cristo no mundo que é dividida em diferentes denominações e jeitos de vivenciar o ser igreja e também de celebrar. No entanto, quando nós nos unimos para celebrar, para anunciar, para proclamar, para evangelizar, com toda certeza, o reino todo ganha! E nós somos fortalecidos como corpo, porque somos um só corpo do qual Cristo é o cabeça. Então, é muito importante que a gente faça esses movimentos e, com isso, a gente está dando um belo testemunho para dentro da sociedade, porque o corpo de Cristo não é para ser dividido, ele é para ser unido!
JdeB – Vivemos num período de extremismo de opiniões e divisões, qual recado que a Campanha da Fraternidade quer dar?
Pastor Ildo – Eu creio que o recado principal que a Campanha da Fraternidade pode trazer é de que, primeiro lugar: para dialogar, nós precisamos ouvir, diálogo não é monólogo, diálogo é onde nós sentamos juntos, com olhares diferentes, opiniões diferentes, jeitos diferentes, mas que, a partir de uma centralidade, que é nossa fé em Jesus Cristo, nós vamos ouvindo aquele que pensa diferente, aquele que celebra diferente, mas com isso nós vamos aprendendo.
Quando nós sentamos para dialogar e ouvir com o diferente, nós nos propomos a também sermos moldados sem maldade. Tanto na Campanha da Fraternidade como em outros momentos e espaços de discussões, grupos extremos têm uma grande dificuldade do diálogo, por isso que eles são extremos, porque, se eles não fossem extremos, eles estariam conosco ao centro, para dialogar, conversar, celebrar e fortalecer o corpo de Cristo.
Imprensa – O que a Campanha da Fraternidade quer discutir em 2021?
Dom Edgar – A primeira afirmação que temos que dizer é essa: “Cristo é a Nossa Paz”, a partir de Cristo, todas as igrejas, neste momento, estão sendo convidadas a viver esta fraternidade, talvez a palavra-chave desta campanha é o diálogo, o diálogo ecumênico, o diálogo eclesial, mas que é um diálogo bíblico, olhar o modo como Jesus dialogava, como Jesus se dirige às multidões e aquilo que era central nas palavras de Jesus.
Então, o que é central? O que é comum entre as igrejas? O que é comum entre a igreja é a vida de Cristo! É a proposta de Cristo, é o projeto de Cristo, são as atitudes de Cristo e a palavra que completa esta proposta da Campanha da Fraternidade Ecumênica é o compromisso com o amor, a vida de Jesus é a prática do amor. Ele viveu o amor com o Pai e com aqueles que o Pai lhe deu, ou seja, todos nós! Então, acredito que nesta campanha ecumênica esse compromisso de amor a partir do Evangelho, a partir das atitudes de Cristo, que é a unidade, o amor, a comunhão, a fraternidade, a justiça, a misericórdia e, acima de tudo, o perdão! O perdão também é fruto de quem ama.
Nós teremos, como igrejas ecumênicas que somos, que viver essa dinâmica do diálogo, do amor e da fraternidade olhando tudo aquilo que é comum entre as igrejas, não as diferenças, não aquilo que nos divide, mas aquilo que nos une.
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Imprensa – Vivemos um tempo de extremismo, o que a CF vai refletir em relação a isso?
Dom Edgar- O extremismo, a polarização, tudo isso não leva a lugar nenhum, o que nos une é o amor! Então, nós não podemos polarizar e extremar, diríamos, as afirmações ou torná-las absolutas, esse que é o problema. Às vezes, as nossas afirmações são pequenas palavras, pequenas frases ou pequenas sentenças, muitas vezes, nós vamos torná-las teses, quase como dogmas, isso não ajuda.
Temos que olhar, eu sempre digo isso aí, ecomunismo, tudo aquilo que nós quisermos fazer em todas as dimensões, não só na religiosa, nós temos que saber na inteligência de servir, o discernimento é muito importante.
O papa Francisco tem nos ensinado muito isso, como discernir e salvar o que é verdadeiro, aquilo que nos une, aquilo que é comum entre as pessoas? A vida, por exemplo, ela não podia virar ideologia, a fé não podia ser ideologia, a igreja não pode ser ideologia, ou seja, polarizar as realidades e fazer teses, às vezes, de briga de fake news, é o momento de comunhão, momento de unidade e a unidade naquilo que nos torna autênticos e testemunhas de Jesus Cristo, que é o amor.




