Situação pode impactar nos custos de produção e de vida dos consumidores.

As empresas integradoras de aves e as cooperativas agropecuárias do Paraná estão preocupadas com possibilidade de escassez de milho para 2021 e com o alto preço do milho e soja. Se, para o produtor de grãos há aumento na sua renda com as atuais cotações, para as integradoras e produtores integrados de aves, suínos e leite o aumento dos custos de produção são substanciais. Milho e soja são dois principais componentes da ração que é fornecida para as criações.
Por isso, o Sindicato das Indústrias Avícolas do Paraná (Sindiavipar), a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) e a Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab) pediram à ministra da Agricultura e Pecuária, Teresa Cristina, que estendesse em alguns dias o Zoneamento Agrícola do Paraná para que os produtores rurais possam plantar o milho da safrinha.
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Devido à forte estiagem do segundo semestre de 2020, o plantio da primeira safra de milho e soja foi postergado e as colheitas estão ocorrendo agora, numa época em que normalmente as lavouras de milho e soja da safrinha já estariam plantadas. Além disso, a pouca quantidade de chuvas, em fevereiro, prejudicou o plantio da safrinha. “Nós temos que agir na causa”, salienta o presidente do Sindiavipar, Irineo da Costa Rodrigues, também diretor-presidente da Cooperativa Lar, de Medianeira, que mantém frigorífico de frangos na região Oeste do Paraná.
A intenção da Seab, Ocepar e Sindiavipar era que o Ministério da Agricultura autorizasse a extensão do plantio por mais dez dias, incluindo no Zoneamento Agrícola, que serve de base para as empresas seguradoras indenizarem os produtores rurais com o seguro agrícola ou Proagro em caso de frustração da safra por problemas climáticos.Sexta-feira, 5, chegou a informação às lideranças paranaenses do agronegócio que os órgãos técnicos, como a Embrapa, alegaram que se fosse estendida a “janela” do Zoneamento Agrícola para permitir a continuidade do plantio, poderia pegar o período suscetível às geadas.
Neste caso, ficaria mais complicado para as seguradoras bancarem as indenizações das lavouras. “As seguradoras não querem entrar no risco”, ressalta IrineoDiante desta situação, as lideranças do agronegócio – Sindiapviar, Ocepar e Faep – vão orientar os agricultores para que plantem, mesmo assim, o milho da safrinha por estes dias de março já que o valor da saca está compensando. O preço médio está oscilando entre R$ 77 e R$ 79. “São argumentos econômicos”, salienta o presidente do Sindiavipar.
Componente importante na ração
O milho é extremamente importante para criações avícolass, suinícolas e para a pecuária leiteira do Paraná. O Estado tem cerca de 35 frigoríficos de frangos, mais as empresas avícolas que produzem ovos férteis (produção de pintinhos) e para consumo humano, vários frigoríficos de suínos de grande, médio e pequeno porte e dezenas de laticínios que necessitam de leite em grande escala pelos sistemas free stall ou compost barn. Irineo observa que, se ocorrer a escassez do produto no meio do ano, a opção será importar milho. Mas o custo se tornará muito alto.
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Caso haja necessidade de importação, a saca vai entrar no Brasil quase a R$ 100. “Aí inviabiliza pro produtor de leite, de suínos e aves”, frisa o presidente do Sindiavipar. Nos últimos anos, a produção de milho e soja do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul ajudou a abastecer os estoques das integradoras da região Sul. Mas após a implantação de novos portos no Arco Norte do Brasil, as empresas passaram a exportar grande parte da produção de grãos pelos portos da região Norte.
O alto preço da saca de milho e do dólar – na faixa de R$ 5,70 – também estão favorecendo as empresas a destinarem parte da produção para fabricação de etanol. E o próprio preço da saca serve de estímulo para as grandes corporações do agronegócio venderem para clientes externos. Irineo adianta que se ocorrer escassez de milho haverá aumento nos custos de produção e isso terá reflexos nos preços no varejo – ao consumidor final. “Vai aumentar o custo de vida”, adianta.





