“Eu sempre fui músico e nunca pensei em fazer outra coisa da vida.”

Por July Ioris
Lori da Silva nasceu dia 14 de outubro de 1972, em Pérola D’Oeste. Ele é filho de Dalírio e Maria Sales da Silva, casado com Rosane Guedes e pai de Malena Guedes da Silva. Lori é músico acordeonista, tecladista e cantor.A família de seu Dalírio morava numa comunidade do interior de Pérola D’Oeste, chamada Coxilha Bonita, e vivia da agricultura. Quando Lori tinha 12 anos, o irmão Derli resolveu comprar um acordeon.
“Naquela época os recursos eram poucos e meu irmão trocou uma junta de bois, ele desejava aprender a tocar e queria que eu também tocasse. Depois da escola eu e ele ficávamos ouvindo as músicas que tocavam no rádio para copiar as letras. Depois a torcida para que o locutor tocasse ela outra vez, para que eu e ele pudéssemos tentar tocar a gaita acompanhando a música. Ensaiamos muito e aprendemos sozinhos. Logo, ele comprou um violão e montamos uma dupla”, conta Lori.
Quando Lori tinha 17 anos, seus pais se mudaram para o município de Cotriguaçu, no Mato Grosso. O irmão Derli, que era um pouco mais velho ficou em Pérola e Lori começou a tocar e cantar sozinho até ser descoberto por uma dupla de Juína (MT). “Eles foram para a cidade que eu morava tocar num comício de um político e eu cantei uma música com eles. Juarez e Gilmar, esta era a dupla, imediatamente, fui convidado para acompanhá-los até o final da campanha. Um deles tocava guitarra e o outro, contrabaixo. Eu fui tocar gaita e fazer vocal, fiquei em Juína três meses e depois da campanha retornei para Cotriguaçu”, lembra o músico.
Logo depois, ele foi convidado para fazer parte de uma banda dos primos em Santa Terezinha de Itaipu (PR).Foi, então, que Lori começou a tocar teclado e permaneceu durante três anos nesta banda que tocava bailões. Com 20 anos de idade, o acordeonista se mudou para Pato Branco e foi tocar com a banda de música gaúcha “Mensagem Gaúcha”. Num baile conheceu Rosane, começaram a namorar e decidiram se casar e vieram para Francisco Beltrão, onde morava a família da moça. Em Beltrão, Lori entrou no Grupo Estância, desta vez tocando gaita, teclado e fazendo vocal. Permaneceu cerca de oito anos no grupo, que fazia apresentações em toda região.
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Mil e Uma Noites
Lori foi ficando cada vez mais conhecido e surgiu o convite para tocar na Banda Mil e Uma Noites, que era especialista em festivais, além de tocar bailes sociais e formaturas. “O músico de festivais aprende a tocar todos os estilos, ele precisa ser ágil e acaba tendo um repertório vasto para acompanhar os competidores, é uma grande escola para qualquer músico. Conheci muitas pessoas fiz amigos e recebi convites para trabalhar em outras bandas. Acabei me mudando para Horizontina, no Rio Grande do Sul, para fazer parte da banda de baile Hawai. Neste tempo toquei com grandes músicos e fiz muitos amigos. Na Banda Hawaí eu tocava apenas teclado e fazia vocal, não tocava gaita, foram dois anos e tocávamos em média 20 bailes por mês”, lembra Lori.
Ao retornar a Francisco Beltrão, Lori tocou por mais um tempo na Banda Mil e Uma Noites e “Banda A”. Porém, em 2005, decidiu sair e tocar em barzinhos. Ele juntou um dinheiro e comprou equipamentos e foi tocar ao lado de Arilson Antunes de Lara. A dupla se apresentava em vários bares e restaurantes, faziam casamentos e a primeira apresentação foi no Belisco, que era de propriedade de Ito de Lara, irmão de Arilson. Dois anos mais tarde, foi convidado por Cleudenir Daros a montar um trio, ele aceitou o convite e assim surgiu Musical Sintonia do Som.
Banda e aperfeiçoamento
Depois de um tempo, Cleudenir Daros pediu para Lori ajudar montar uma banda, pois ele conhecia muitos músicos. Ele ficou dois anos e retornou ao Trio Sintonia do Som, que era composto por Lori, Arilson e Julio Valgoi. Entre as apresentações começaram a tocar matinês da terceira idade. Lori já trabalha em matinês dos idosos há sete anos. Lori aprendeu a tocar gaita, cantar e tocar violão, na infância, apenas de ouvir as músicas, depois que deixou de tocar com o irmão Derli, não tocou mais violão. Mais tarde, aprendeu teclado e foi se aperfeiçoar no acordeon fazendo aulas com Antônio Araí, para aprender as escalas musicais. Atualmente, Lori está estudando para trabalhar com estúdio de gravação. Sempre foi um músico dedicado e mesmo recebendo elogios de colegas músicos nunca deixou de ser uma pessoa simples e humilde.
“Eu sempre fui músico e nunca pensei em fazer outra coisa da vida, acredito que nasci com este dom. Sempre fui muito tímido, nunca tive condições de ter instrumentos de última geração, mas dei o melhor em todas as bandas que passei, procurei ajudar e ensinar o que eu sabia para os colegas. Sou muito simples e quando estava na Banda Hawaí me pediram um autógrafo e eu não fazia ideia de como faria”, diz o músico, rindo.
O músico conta que passou por muitas dificuldades durante todos estes anos de carreira, pois viver de música muitas vezes é bem difícil. Mas ele jamais pensou em desistir, pois o amor pela profissão deu suporte e forças para continuar. “Essa pandemia deixou muitos artistas sem trabalho, sabemos como tem sido difícil e tentei me reinventar, desta forma estou estudando muito para aprender a trabalhar com estúdio de gravação, que é bem diferente do que eu imaginava, mas continua sendo na área da música que é o que eu amo”, conta.





