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Cerca de 60 funcionários terceirizados do Hospital Regional do Sudoeste (HRS) estão com os salários de março atrasados e sem o débito integral do vale-refeição. O sindicato da categoria, Siemaco, já notificou o Ministério Público do Trabalho (MPT), de Pato Branco, para que intervenha no caso. Empresa Via Nova, responsável pelos funcionários, disse que o pagamento deve ser feito “o mais rápido possível”. Segundo o Sindicato, o salário, que varia de acordo com a função, é a partir de R$ 1,3 mil com mais R$ 450 de vale alimentação.
O valor do salário ainda não foi debitado e o do vale alimentação tem sido pago parcelado desde que a empresa assumiu, em outubro do ano passado.Sem esses valores, funcionários, que além de se arriscarem deixando suas casas num período de pandemia e alta taxa de ocupação dos leitos, não contam com valores mínimos para quitar contas ou garantir alimentação.Conversas apresentadas por Jussara mostram que, além disso, há pressão da empresa sobre os trabalhadores para que não busquem o sindicato. Os trabalhadores temem por represália da empresa.
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“Se não fosse fazer diária não sei como estaria”
Uma funcionária ouvida pela reportagem e que não quis se identificar disse que este foi o primeiro mês que atrasou o salário, mas confirmou que os vales são pagos fracionados em parcelas de R$ 150, R$ 250 semanais. Ela também se queixou da garantia do pagamento do vale transporte.
Por ser chefe de família e responsável por uma criança e dois adultos, que não podem trabalhar por motivos de saúde, ela conseguiu um bico para garantir o complemento da renda. “Se não fosse fazer diária não sei como estaria”, desabafa, dizendo que foi esta a renda que garantiu a alimentação em casa neste mês. Algumas contas também estão atrasadas.
“Minha preocupação é de não recebermos certo o que eles falaram no dia da contratação, porque no dia que assumiram fizeram tanta propaganda e nada está sendo cumprido pela parte deles, e [me preocupo] que aconteça com nós o que está acontecendo nos outros lugares onde a Via Nova atua.” Problemas com a empresa foram registrados em Ponta Grossa e também Florianópolis.
Ministério Público
Segundo Jussara, desde o fim de março a empresa não retorna aos pedidos do Sindicato. “Eles [Via Nova] dizem que está tudo certo, os trabalhadores dizem que não. Solicitamos documentação, mas não responderam a gente”, esclareceu Jussara.
Devido à falta de diálogo, na segunda-feira, 13, um documento foi enviado ao Ministério Público do Trabalho (MPT) de Pato Branco solicitando intervenção do órgão para a regularização dos pagamentos.
“Foi informado que a empresa não apresentou a documentação necessária para a liberação de algum pagamento por parte do Hospital – Certidões Negativas, e que o Hospital Regional não deu causa aos atrasos dos salários, haja vista que a empresa por força do contrato e conforme o Edital Licitatório tem o dever de fornecer a documentação necessária para a liberação dos recursos financeiros, ao mesmo tempo a empresa deve contar com capital suficiente para fazer frente a eventuais ocorrências desta natureza”, diz trecho do documento.
O MPT instaurou notícia de fato e ficará sob responsabilidade do procurador Daniel Gemignani.Diretor da empresa Via Nova, Valdecir Vidal Teixeira, disse que o benefício será regulamentado o mais rápido possível. “Nesse momento todas as tratativas estão sendo feitas para resolver a questão salarial e que está havendo cooperação de ambas as partes tanto da empresa como da direção da própria Funeas. Portanto, tão logo seja equacionado esse assunto o pagamento será realizado o mais rápido possível”, disse em nota.
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Sobre a empresa pressionar os funcionários, Valdecir negou que isso aconteça. “Isso não procede, pois sempre estivemos e estamos dispostos ao diálogo, seja aos nossos funcionários em relação aos seus direitos trabalhistas ou ao próprio sindicato por ser o representante legal da categoria profissional.”
Marcello Machado, presidente da Fundação Estatal de Atenção em Saúde do Estado do Paraná (Funeas), responsável pelos repasses à empresa, disse ao Jornal de Beltrão que a falta de pagamentos é muito inoportuna num momento tão grave para os brasileiros. “A empresa não nos apresenta toda a documentação necessária para que possamos fazer o pagamento, contudo, ela (Via Nova) não deveria depender do repasse para quitar suas obrigações contratuais.”
Marcelo adiantou que mesmo em desacordo com o que está definido em contrato, para resguardar a segurança dos funcionários, a Funeas irá fazer um repasse para que a empresa cumpra o que se comprometeu, fazendo o pagamento imediato das pendências com os funcionários.





