Desde 2015 no cargo, ele conquistou três acessos e quer recolocar a equipe na elite estadual

Em 2015, o jornalista Luiz Carlos Baggio foi encarregado de promover uma reunião. O encontro trataria do retorno do Clube Esportivo União ao futebol profissional após 23 anos. Entre os nomes pelos quais Baggio deveria contatar, estava o de Claudio Bonetti. No entanto, nosso colunista se confundiu e quem recebeu a ligação foi outro Claudio, o Stankiewicz. “De fato, pensei no nome do Claudio Bonetti, que era diretor do Marreco Futsal na época. Como me pediram que indicasse mais alguém, sugeri o nome dele. Quando vi, apareceu o outro Claudio na reunião. Só então me dei conta de que havia me enganado”, lembra o jornalista.
Convocado, o ex-jogador do clube compareceu à reunião e notou a surpresa entre os colegas. “Quando eu cheguei, o pessoal percebeu a confusão e ficou sem graça. Mas, por indicação do Ivair Cenci, entrei para a diretoria, como supervisor”, recorda.O tempo passou e Claudio ficou. Já são seis temporadas no cargo. A credibilidade conquistada durante o período fez com que ele fosse reconhecido como “o Claudio errado que deu certo”, em alusão ao ocorrido.
Carreira nos gramados
Nascido em Erechim, Claudio Stankiewicz tem 50 anos e vive há mais de 30 em Francisco Beltrão. No futebol, a trajetória iniciou cedo. Foi atleta de escolinhas do município e disputou os Jogos Abertos do Paraná. Vem de décadas também a relação com o União. Em 1988, Claudio integrou as categorias de base do clube e chegou a participar da equipe adulta. Nessa época surgiu a amizade com Ivair Cenci. “Ele era atleta da equipe adulta e eu dos juniores. Ficamos amigos e depois nos distanciamos, já que não haviam redes sociais. A partir de 2015 voltamos a nos comunicar e a indicação dele foi importante para me tornar supervisor.”
Conquistas do União, conquistas do Claudio
Por 20 anos, Claudio trabalhou como ourives. O amor pelos gramados era alimentado enquanto ele auxiliava — indiretamente — no Francisco Beltrão FC. Em 2015, o União foi reativado para preencher a lacuna deixada pela outra equipe, licenciada no ano anterior. Desde então, Claudio ajudou a conduzir o futebol beltronense. Mais do que isso: o União entrou para a história como um dos protagonistas da modalidade do Paraná. Afinal, foram três acessos: campeão da 3ª Divisão em 2016; vice da segundona em 2017, tomando a vaga na elite do Operário Ferroviário (campeão da Série D daquele ano); voltando à elite em 2019, após o rebaixamento no ano anterior.
O que faz um supervisor?
No cotidiano, Claudio ajuda na montagem do elenco, faz a logística das viagens, prepara a documentação e providencia a alimentação dos atletas. É o braço direito da presidência. A principal referência no “planeta bola” é o já citado Ivair Cenci. “Aprendi muita coisa observando a diretoria do Francisco Beltrão FC e com os conselhos do Ivair. Sou grato pelo apoio do Otávio Muniz e do Alex Spada e pela confiança do presidente Ivo Sendeski, que me chamou para trabalhar por mais um ano no clube”, declarou.
As quedas
Se por um lado Claudio reconhece que o União precisa se firmar na 1ª Divisão do Campeonato Paranaense, o dirigente afirma que as quedas não ocorreram por motivos extracampo. “Em 2018 caímos por um ponto. No ano passado perdemos jogos importantes em casa e isso fez falta”, justifica. Rebaixamentos são traumáticos para quem os vivencia. Nesses momentos, Claudio contou com o apoio da família. “A minha filha Deborah Christiane esteve sempre ao meu lado. Estou num cargo almejado por muitos dirigentes do futebol. Quantos não querem estar no meu lugar? Minha família me deu apoio quando caímos e está comigo em todas as horas”, conta.
Lá em Pato Branco…
Como cidadão do Sudoeste que é, Claudio tem consciência da rivalidade entre beltronenses e pato-branquenses — que está acima do futebol. Ocorre que o Azuriz chegou à elite estadual em 2021 e de cara assegurou vaga na Série D do Campeonato Brasileiro do ano que vem. Diante do fato, é inevitável que os torcedores do União esperem um desempenho igual ou superior. “O Azuriz fez a parte deles dentro de campo, o que conseguiram até aqui é louvável. Nós precisamos fazer a nossa: voltar para a 1ª Divisão, permanecer e depois pensar no Campeonato Brasileiro. Não vejo a Série D como algo inalcançável. O futebol paranaense é nivelado, não há um clube muito acima dos demais. É necessário manter a comissão técnica, dar continuidade”, defende.
O Marreco
Futebol e futsal são modalidades em que as técnicas muitas vezes se confundem. Só que em Beltrão certas coisas não se misturam, como no caso das paixões desportivas. O torcedor do União é também o torcedor do Marreco. Para o dirigente azulino, as duas entidades podem e devem existir contemporaneamente. “A relação com o Marreco é tranquila. São duas instituições que promovem a cidade pelo Brasil. Torcemos pelo sucesso do nosso futsal”, diz.
Aonde ele quer ir?
Além de jogador, Claudio Stankiewicz foi um torcedor “raiz” do União: assistia os jogos no barranco do Estádio Anilado. Para ele, a volta ao profissionalismo foi a realização de um sonho. Como qualquer ser humano, ele agora almeja novas realizações. “Minha maior aspiração é ver o União escalar as séries D, C e B e chegar à elite do futebol brasileiro, assim como fez a Chapecoense.”
Justiça seja feita
Assim como Claudio, vários outros profissionais estão no União desde 2015. É o caso do mordomo Adriano Mazon, do atual presidente, Ivo Sedesnki, do vice-diretor-administrativo Laurentino Risso, do vice-diretor-financeiro Evandro Neves, dos conselheiros fiscais Adenilson Miranda e Alencar Murer, dos membros do conselho deliberativo Clair Azzolini Filho, Cleimar Mazzoco, Juarez Mello, Otávio Muniz e Sérgio Vitalino Galvão, além dos suplentes Antônio Pedron, Ari Barbieri, Euclides Spessatto e Ricardo de Souza.






