O temor é uma competição entre os terminais, separados por menos de 20 quilômetros. O Santos Dumont, de menor porte, fica no centro do Rio, enquanto o Galeão está localizado na Ilha do Governador.
Às vésperas da abertura de consulta pública, o modelo de concessão do Santos Dumont, no Rio, provoca divergências entre governos e levanta incertezas sobre o futuro de outro aeroporto carioca, o Galeão.
De um lado, o governo federal vê com bons olhos a possibilidade de ampliação de voos no Santos Dumont a partir do repasse para a iniciativa privada. Mas, na visão do governo estadual e da Prefeitura do Rio, esse aumento colocaria em xeque as operações do Galeão (Aeroporto Internacional Tom Jobim) no pós-pandemia.
Ou seja, poderia haver uma competição entre os terminais, separados por menos de 20 quilômetros. O Santos Dumont, de menor porte, fica no centro do Rio, enquanto o Galeão está localizado na Ilha do Governador.
O Estado e a administração municipal defendem a ideia de que, após a concessão, o Santos Dumont não tenha uma ampliação de rotas e fique concentrado em voos de menor distância, como a ponte aérea com São Paulo e Brasília, além de executivos. Assim, a intenção seria ampliar as conexões domésticas no Galeão e também fortalecê-lo como hub internacional.
O governo federal, por sua vez, sinaliza que não pretende aceitar restrições, já que a escolha dos terminais ficaria nas mãos das companhias aéreas. Em outras palavras, o mercado definiria para onde voar.
Após a conclusão de estudos, a consulta pública sobre a concessão do Santos Dumont deve ser aberta na primeira quinzena de agosto, conforme o Ministério da Infraestrutura. A previsão é de que o leilão ocorra no primeiro semestre de 2022.
Joia da coroa
Na prática, quem levar a administração do Santos Dumont também terá de administrar os aeroportos de Jacarepaguá (RJ), Uberlândia (MG), Montes Claros (MG) e Uberaba (MG). Os investimentos previstos no bloco ficam na casa de R$ 1,7 bilhão. O terminal do centro do Rio é considerado uma das joias da coroa em disputa. Outro destaque é o aeroporto de Congonhas, em bloco com mais quatro ativos: Campo de Marte (SP), Campo Grande (MS), Corumbá (MS) e Ponta Porã (MS).
O secretário estadual de Turismo do Rio de Janeiro, Gustavo Tutuca, ressalta que o governo fluminense é favorável à concessão do Santos Dumont, mas afirma que o modelo precisa ser repensado. “A gente tem de entender a importância do Galeão para o Rio. Em plena atividade, o aeroporto pode gerar cerca de 20 mil empregos diretos. Vimos, até pela pandemia, a concentração de voos domésticos no Santos Dumont, que tem capacidade menor. O que preocupa são declarações de que o Santos Dumont poderia receber até voos internacionais”, diz Tutuca.






