Os objetivos são “ver, ouvir, acolher, confortar e agir”.

“Sem obra, a fé é morta” (Tiago 2,17). Foi assim que no dia 26 de abril de 2000, 10 mulheres de vários movimentos e pastorais da Paróquia Nossa Senhora da Glória foram convocadas pela Irmã Clara, com a ideia de, além das orações, agirem também com obras de caridade. “A partir de então, fundamos o Voluntariado do Sagrado Coração de Jesus”, conta Ivete Cavalli, coordenadora do grupo. Atualmente, são 26 participantes que, nas segundas-feiras, das 13h30 às 17h, se reuniam nas dependências do salão Pedro Granzotto.
“Como todos, de modo geral, tivemos que nos reinventar diante do ‘novo normal’, que nos limitou, mas nem por isso ficamos paradas. Estamos, de nossas casas, fazendo a nossa parte. E como todo o bem é provido de generosidade, nunca faltou pessoas que nos ajudam de diversas maneiras”, acrescenta Ivete. São desenvolvidos trabalhos artesanais; os beneficiados são idosos e deficientes físicos acamados, que recebem mensalmente três pacotes de fraldas geriátricas e, em alguns casos, cesta básica e leite. Gestantes carentes também recebem o primeiro enxoval, que é todo feito pelas voluntárias. “De modo geral, ajudamos quem nos procura e que está ao nosso alcance.”
São mantidas entre 35 e 40 famílias; a entrega, na pandemia, se manteve com até cinco voluntárias. “Aguardamos ansiosamente que em 2022 possamos retornar nossos encontros semanais, como há 20 anos acontece, porque nossos encontros também nos beneficiam. Reservamos momentos de trabalho, orações, partilha e confraternização com um chá e quitutes que as próprias voluntárias levam”, comenta Ivete.
Sua motivação, assim como das demais voluntárias, é estar numa posição privilegiada de poder ajudar. “Amenizar o sofrimento é o que nos move e motiva cada vez mais na continuidade desse trabalho; na verdade, as mais beneficiadas somos nós. E nesta caminhada estamos há 21 anos perseverantes, pois, assim como algumas voluntárias já nos precederam para a morada definitiva, outras se afastaram por motivos de saúde e limitação da própria idade, nunca faltou outras que, depois de encerrar suas atividades profissionais, ingressam conosco nos dando total apoio.”
O lema do voluntariado do Sagrado coração de Jesus é ver, ouvir, acolher, confortar e agir. “Não esperamos de Deus um espetáculo para se fazer presente em nossa vida, porque um simples gesto, como um sorriso, já é o suficiente, alicerçadas na palavra, no pão, na caridade e na ação concreta”, diz Ivete.
De mãe para filha
A voluntária Raquel Motter aprendeu trabalhos manuais com sua mãe Maria das Dores Nogueira, que faleceu há nove meses, aos 94 anos, e também era professora. “Eu sentava do lado dela, com uns 11 anos, aprendi crochê, tricô e bordado olhando.” Raquel trabalhou mais de 20 anos no Colégio Glória e, assim que se aposentou, ingressou no voluntariado.
“Adoro o que eu faço pro bazar e pra doação. Sempre pensei em fazer trabalho voluntário quando pudesse. Temos uma equipe muito participativa. Gosto muito, temos muito mais a ganhar do que aqueles que recebem. Agradecemos a Deus todos os dias”, ressalta.




