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O administrador de empresas e tradicionalista Iduir Pedro Bortot, 64 anos, faleceu quarta-feira, 20, vítima de paradas cardíacas na Policlínica São Vicente de Paula, em Francisco Beltrão. Iduir era gerente da Cooperativa de Transportes 14 de Dezembro (Coptrans), foi patrão do CTG Laçando a Tradição, de Marmeleiro; vice-patrão do CTG Recordando os Pagos; patrão do CTG Rancho Crioulo, de Francisco Beltrão; coordenador da 9ª Região Tradicionalista e colaborador, juntamente com seu grupo de amigos, de festas gastronômicas no município.
Os amigos e colegas de tradicionalismo citaram alguns momentos marcantes que vivenciaram com Iduir, ao longo de sua vida.
Julio Cesar Leonardi, cantor, músico e compositor de letras gaúchas
“Dentre bailes, shows, eventos culturais e festas de confraternização, ninguém nos deu tantas oportunidades como ele [Iduir], nos contratando ou recomendando a outras entidades. Foram muitos eventos, sempre com amizade e confiança. Um bom exemplo é o “Baile da Mariquinha”: a ideia surgiu junto à patronagem do CTG Rancho Crioulo (que ele ajudou a criar), e fomos convidados para animar as três primeiras edições, entre 2011 e 2014. Estamos contratados, há mais de um ano, para a próxima edição. Eu sempre dizia que se tivesse mais meia dúzia de parceiros como ele, não precisaria mais me preocupar com nada, na carreira musical”.
Elóis Rodrigues, ex-patrão do CTG Recordando os Pagos e diretor da Confederação Brasileira de Tradicionalismo Gaúcho (CBTG)
“Ele atribuía a mim a ‘semente’ do CTG Rancho Crioulo. Quando coordenei uma Semana Farroupilha da Integração, ele era coordenador da 9ª Região e eu o convidei para montar um acampamento e recepcionar os patrões da região. Ele achou complicado e optou por oficializar um grupo tradicionalista gaúcho local, voltado à culinária gaúcha. Posteriormente, esse grupo fundou o CTG Rancho Crioulo de Francisco Beltrão, e me convidaram para participar da fundação pela razão acima. Atualmente, ele era o patrão do CTG Rancho Crioulo. Enfim, ele ainda teria muito a contribuir com a Tradição Gaúcha, mas o Patrão Maior entendeu diferente. Descanse em paz.”
Rui Machado, diretor da TV Beltrão e diretor do CTG Rancho Crioulo
“Ele estava sempre ajudando. Pra ele nunca tinha dificuldade. Ele, no nosso grupo, é uma engrenagem que vai fazer falta. Ele sempre foi um cara de decisão. Ele tinha suas opiniões. Ele respeitava a opinião dos outros, mas tinha a dele. O Baile da Mariquinha era o sonho dele.
Ele foi um dos idealizadores. Ele incentivava tudo.”
Agostinho Muller, patrão do CTG Rancho Crioulo
“Num encontro de seleções das regiões do MTG e CTGs, realizado em Irati (PR), anos atrás, Iduir estava na coordenação da 9ª RT. Era um encontro de laçadores. O Ulisses Viganó, do CTG de Cruzeiro do Iguaçu, levou duas carpas grandes, pesando cerca dez quilos cada uma. O pessoal da delegação da 9ª RT queria assar os peixes, mas ninguém sabia e ninguém se encorajava em fazer. O Iduir falou com o [Renir “Chico” Comunello, grande amigo e quase irmão de Iduir] e se encorajaram em fazer. Eles fizeram os pedidos de ingredientes. E o que o pessoal achou engraçado foi o pedido de um litro de Whisky. O rancheiro foi no supermercado e comprou tudo. Na hora de preparar o tempero das carpas o pessoal ficou se olhando e de olho no litro de whisky pra ver o que os dois cozinheiros iam fazer.
Iduir colocou os temperos e ingredientes nas carpas. Mas esqueceu de usar o Whisky. Ele foi e abriu o litro de Whisky e colocou duas tampinhas da bebida por cima das carpas. O pessoal falou meio indignado: você pediu um litro de whisky e só vai usar isso? E o Iduir falou: – Se ele falasse que ia usar só duas tampinhas vocês não iam querer comprar o litro de Whisky. No final, o pessoal tinha tomado dois litros de Whisky e também saboreou as carpas.”
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Caludir Urbano da Silva, tradicionalista e apresentador do programa Potreiro de Guacho, da Rádio Onda Sul
Caludir, amigos e familiares promoveram durante alguns anos, no sítio dele, na comunidade de Volta Grande do Marrecas, em Francisco Beltrão, o Escramuça, um show de músicas gaúchas e jantar com pratos típicos gaúchos. O Iduir e seu grupo de cozinheiros sempre eram convidados para preparar o jantar. Iduir e seus colegas definiam os pratos e os ingredientes necessários, e o Caludir providenciava os pedidos. No dia do evento estavam lá no sítio do Caludir, o Iduir e seus companheiros preparando a “boia”, como sempre Caludir se refere às refeições.
Amarildo Petry, ex-patrão do CTG Herdeiros da Tradição e Peão Biriva Xiru da CBTG
“O Iduir sempre me deu bastante apoio. Quando teve o prendado [concurso para a escolha dos peões e prendas regionais do tradicionalismo] na 9ª Região, quando nós fomos pro prendado estadual do MTG, em Umuarama, ele sempre foi bastante participativo. Quanto às despesas, ele sempre ajudou a gente. É uma pessoa que eu sempre admirei dentro do tradicionalismo.”
Ezídio Salmoria, presidente da Coptrans
“Ele me acompanhava em todas as viagens, nas reuniões em Curitiba. Era um parceiro que estava sempre junto nas negociações [da cooperativa]. Tudo o que a gente ia fazer administrativamente, sempre conversava com ele, que tinha boas ideias.”






