Entre os assuntos, estão as configurações de uma República federativa; a finalidade dos partidos; as atribuições de União, estados e municípios; e o financiamento das eleições.

“Existe hoje no Brasil uma incompreensão em relação ao papel das Forças Armadas, e essa incompreensão serve a interesses claramente golpistas”, diz a comentarista de política e advogada Gabriela Prioli. Ela continua: “A retórica golpista é mais um sinal de fraqueza do Bolsonaro. Veja o desfile dos blindados em Brasília, deu vontade de rir! Não quero dizer que nós não devemos nos preocupar com essas falas dele, mas precisamos ficar atentos para não fortalecer quem está fraco”.
Embora as ações do governo federal sejam assunto incontornável dos seus comentários, especialmente nas redes sociais, o recém-lançado “Política é para todos”, o primeiro livro dela, não é exatamente uma reflexão sobre os anos Jair Bolsonaro. Trata-se de um livro curto de introdução à política, de leitura fluente, com temas atemporais ou que fazem parte da nossa sociedade há décadas. Entre os assuntos, estão as configurações de uma República federativa; a finalidade dos partidos; as atribuições de União, estados e municípios; e o financiamento das eleições. Os motes são perenes, mas os exemplos dão temperatura à obra.
Estilo descontraído
Gabriela Prioli faz boa introdução ao pensamento de cientistas políticos contemporâneos que discutem as razões para ascensão de líderes autocratas no século 21, como Steven Levitsky (“Como as Democracias Morrem”, com Daniel Ziblatt) e Yascha Mounk (“O Povo contra a Democracia”). Deu um trabalho e tanto levar para o livro o estilo claro e descontraído com o qual ela se notabilizou na CNN, nas redes sociais e nos cursos que ministra. “É mais fácil ser informal oralmente, no YouTube, por exemplo. O livro nasceu mais formal, eu venho dessa tradição do Direito. Depois fui mexendo para deixá-lo mais didático e informal.” “Simples sem ser simplório”, ela repete como um mantra.




