Política
A fragmentada oposição venezuelana sofreu um revés ontem, 22, quando os números oficiais das eleições regionais de domingo mostram que o chavismo conquistou 20 dos 23 governos do país, bem como a Prefeitura da capital, Caracas. O pleito, que foi o primeiro com a participação de observadores internacionais em 15 anos e também marcou o retorno da oposição, ausente desde 2018, teve participação de somente 41,8% dos eleitores. Nas últimas regionais, em outubro de 2017, a participação foi de 61%, segundo os dados oficiais. Já nas eleições parlamentares do último ano, o comparecimento foi de 31%. Em 2015, no último pleito considerado livre, 74% dos eleitores participaram.
Estados chavistas
Entre os estados que agora serão controlados pelo PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela), do ditador Nicolás Maduro, está Táchira, na fronteira com a Colômbia, região sensível entre os dois países e tradicionalmente um reduto da oposição. Já uma das três regiões conquistadas pelos adversários do regime é Zulia, Estado mais populoso do País. A derrota da oposição já era esperada por especialistas, mas o mau desempenho foi visto como um indicativo preocupante para as eleições presidenciais de 2024. Luis Vicente León, economista e presidente do Instituto Datanálisis, principal e mais respeitada empresa de pesquisas da Venezuela, afirmou que a alta abstenção (58,2%) e a fragmentação foram os fatores definitivos para os resultados.
A oposição ao regime de Maduro está dividida, principalmente, entre as coalizões antichavistas MUD (Mesa de Unidade Democrática) e Aliança Democrática. Líderes latino-americanos aliados de Maduro celebraram a vitória da Grande Polo Patriótico, aliança chefiada pelo PSUV. Miguel Díaz-Canel, líder da ditadura de Cuba, parabenizou o venezuelano pela “contundente vitória nas eleições regionais na Venezuela”. “Vitória chavista, bolivariana e revolucionária do povo venezuelano”, escreveu no Twitter, Luis Arce, presidente da Bolívia, disse que as instituições “uma vez mais priorizaram a superação das diferenças políticas pela via democrática, nas urnas, rejeitando todo tipo de interferência estrangeira”.




