Companhia informou melhorias paliativas para os próximos dias e investimento milionário para o ano de 2022.

Uma reunião no gabinete do prefeito Carlinhos Turatto (PP), no fim da tarde de terça-feira, 14, cobrou da Sanepar soluções para os constantes problemas de falta de água em Dois Vizinhos. Vereadores, representantes de entidades e de bairros participaram da conversa.
O prefeito foi bastante enérgico e pediu soluções imediatas. “Chegou no limite. A Sanepar tem faturamento, pelas minhas contas, de R$ 5 milhões por mês em Dois Vizinhos e, quando tem água em um bairro, falta no outro. Não existe mais. Meu telefone tinha 76 comentários reclamando da Sanepar hoje. Temos que resolver pra ontem. Se não tiver solução, vou chamar a comunidade, dar um ‘canetaço’ e assumir o controle da água. Não tem outro caminho. Estou com um problema no município. No interior, tem comunidades que tem o poço furado há anos e não conseguem colocar para funcionar porque não chegam os canos.”
O secretário de Planejamento, Nilton de Almeida, o Tega, destacou que a relação com a Sanepar é boa, mas falta ação da companhia. “Nos últimos meses, temos falado muito sobre investimentos, mas nas últimas semanas, as dificuldades têm sido grandes. Estamos sendo muito cobrados com essa situação da água.”
O presidente da Associação Empresarial de Dois Vizinhos (Acedv/CDL), Rogério Sidral, ressaltou que a entidade também recebe muitas reclamações. “Por que falta? Onde falhou? A cidade está expandido e, se não for resolvido de forma estruturada, agora, mais adiante vai faltar novamente. Qual a solução imediata para resolver o problema?”
O secretário geral de Governo, Diego Borsatti, enfatizou que seria fácil jogar a responsabilidade na Sanepar. “A população nos procura e estamos buscando encontrar solução. É incabível não ter sido pensado nisso nos últimos anos. Algumas coisas foram anunciadas, mas nada foi feito. Representamos o povo e é direito e dever cobrar providências. Precisamos de soluções. É incabível uma cidade que é destaque em tantos segmentos não ter água. E isso não é de ontem. Se arrasta há muito tempo.”

O que diz a Sanepar? Versão da Companhia
Rita Camana, superintendente para as regiões Oeste e Sudoeste destacou os problemas nos últimos meses e a estiagem que está prejudicando o abastecimento. “Estamos aqui para enfrentar o problema, vivemos a pior estiagem em 91 anos. Não tem planejamento para enfrentar esse problema. A falta de água é generalizada e aqui o manancial reduziu em 35%. Nos últimos dias, começaram as faltas de energia, rompimentos de rede (quatro ou cinco) e isso causou um desequilíbrio na produção e distribuição. Teremos que antecipar o rodízio, num processo que serve para equalizar a distribuição. Todos terão água, ninguém terá mais de seis horas sem água diariamente.”
Rita Camana enfatizou que um investimento de R$ 73 milhões para uma nova captação no Rio Lajeado Grande já está garantido e as obras devem começar no fim de 2022.
“O que temos que fazer agora é um plano de rodízio, conscientização da população, porque aumentou 15% o consumo. Temos ações de melhorias imediatas que vão ampliar a produção. Estamos trabalhando 24 horas, os cinco poços que abastecem a cidade estão operando em 100% da capacidade e precisamos do apoio de todos.”
Lajeado Grande é o caminho?
Rita Camana, na sua fala, destacou que o futuro investimento será no Rio Lajeado Grande, entretanto, no momento, o manancial também está com a vazão muito baixa. Isso gerou desconfiança das autoridades.
“Temos esses R$ 70 milhões para fazer uma obra que talvez, ali na frente, se torne ociosa. Não vale a pena estudar e colocar direto no Rio Chopim? Vai ficar mais caro, mas vai resolver”, indagou Nilton de Almeida.
Consumo
Os duovizinhenses consomem, em média, 157 milhões de litros de água por mês. No momento, o abastecimento está com um deficit diário de 400 mil litros. “A capacidade de produção não vence a demanda, seca o reservatório, por isso, pensamos no rodízio pra estabilizar e ampliar o sistema. Aqui temos perdas de primeiro mundo, de 17%, contra mais de 50% em algumas localidades”, conclui Rita. Uma comissão foi montada para acompanhar o andamento dos trabalhos.





