Ferrovia na região precisará ser viável e vai depender de interesse privado

João Arthur Mohr, da Fiep: “É um investimento que precisará dar retorno, mas que tem tudo para acontecer”. Foto: Leandro Czerniaski/JdeB

Por Leandro Czerniaski – Faz cerca de 30 anos que lideranças da região se mobilizam para a construção de uma ferrovia que atenda o Sudoeste paranaense. Através do projeto da Nova Ferroeste, essa proposta tem a chance de se concretizar, mas em um modelo diferente do que vinha sendo buscado por entidades regionais em outras oportunidades em que a discussão tomou corpo.

Por volta de 2009, a Ferroeste chegou a fazer audiências públicas na região para tratar do ramal e em 2013 havia uma mobilização para que o governo federal estendesse a ferrovia Norte-Sul até Santa Catarina, passando pela região. Em ambas não houve avanços. Foto: AEN/PR

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Agora, o Paraná quer adotar um modelo inovador para ampliar o transporte por trilhos. O Estado irá licitar o projeto e dará uma espécie de autorização para que um grupo privado construa e administre a ferrovia. Os projetos de viabilidade e estudos técnicos (incluindo o ambiental) já estão prontos e há até um esboço do edital, com contatos já feitos com potenciais investidores. Esse processo foi bancado pelo governo estadual e a licitação pode ocorrer ainda neste ano.

“O papel público foi formular o projeto e será o de fazer a cessão e regular o contrato, unicamente”, resume o gerente de Assuntos Estratégicos da Fiep, João Arthur Mohr, que esteve ontem em Francisco Beltrão. Esse protagonismo privado permite que o projeto se concretize dentro do cronograma, para poder dar retorno o quanto antes, e não deixar as obras à mercê de contigenciamentos de recursos públicos.

Nestes primeiros estudos, o ramal entre Chapecó e Cascavel não estava contemplado. O trecho com cerca de 280 km só entrou no projeto da Nova Ferroeste depois que entidades do Oeste de Santa Catarina, lideradas pela Associação Comercial de Chapecó (Acic), bancaram os estudos de viabilidade técnica do ramal e entregaram ao governo do Paraná.

Projeto viável

A construção do ramal cruzando o Sudoeste e de outros dois é opcional e será decidida em uma segunda etapa, por quem vencer a cessão – a prioridade é fazer o trecho Cascavel-Paranaguá. Mas o representante da Fiep é otmista quanto à possibilidade de se ter a ligação Cascavel-Chapecó. “Os números mostram que esse trecho é viável  do ponto de vista econonômico-financeiro. O Sudoeste do Paraná e o Oeste de Santa Catarina respondem por uma parcela significativa da produção de proteína animal do Brasil e isso significa que precisam chegar grãos e farelo para produzir ração, vindos de outras regiões do País, e depois saírem as aves e suínos prontos para a exportação”, argumenta. “É um investimento que precisará dar retorno, mas que tem tudo para acontecer”, completa.

O ramal da região deve custar R$ 6,4 bilhões e há previsão de entrar em operação em 2033. João Mohr acredita que, pelo volume de cargas, a proposta irá atrair o interesse de investidores e cita a possibilidade de instalação de um terminal na região. Caso não haja intenção de construir a ferrovia pela vencedora da cessão, outra empresa poderá assumir o investimento e operação.

Propostas para o transporte

João Arthur Mohr esteve reunido com representantes de diversas entidades para formular propostas do Plano Estadual de Logística em Transporte, que será entregue aos candidatos aos governo do Estado e federal. Cerca de 25% das propostas da última edição do Plano foram executadas e metade tem projetos em andamento. Outros modais, como o naval, rodoviário e aeroviário foram discutidos no encontro, que aconteceu na sede da Acefb.

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