Por Niomar Pereira – A luta pela causa animal tem crescido a cada ano no Brasil. Segundo o Instituto Pet Brasil, são mais de 400 ONGs no país que trabalham pelo acolhimento dos bichos e quase 200 mil animais abandonados ou recolhidos, após maus-tratos, sob a tutela dessas organizações. Mas além daqueles que estão envolvidos diretamente com as entidades, está crescendo também a quantidade protetores independentes. Essas pessoas são movidas puramente por amor aos animais. Mais do que doar seu tempo, também investem dinheiro do próprio bolso.

A beltronense Leidiane Candido, protetora independente, é responsável por 185 animais (entre cães e gatos), 40 dos quais moram com ela. “Eu não preciso nada além da empatia e da compaixão. Eu posso ser voluntário sem ter dinheiro, posso ir na ONG, ir no Bazar e ajuda limpar, fazer campanha para doações, doar um quilo de ração, abrigar um animal de rua que não tem para onde ir ou usar as redes sociais para a causa animal. Sempre há uma forma de ajudar.”
Situação piorou pós-pandemia
Segundo ela, depois da pandemia a ajuda diminuiu bastante, ao passo que o número de animais abandonados aumentou. “Antes da pandemia eu pagava R$ 72 o saco de ração de 20 quilos [direto da fábrica], hoje eu pago R$ 120. A pessoa que doa pra nós vai comprar direto na agroveterinária e lá vai pagar mais caro. Então aquele saco de ração que ela doava antes da pandemia, não vai doar mais.” De acordo com Leidiane, o aumento do custo de vida das famílias também fez crescer os casos de maus-tratos e de abandono de animais. “Eu diria que a pandemia foi motivo para as pessoas descartarem literalmente os animais.” Para manter os seus animais, Leidiane faz o Bazar da Pretinha, uma liquidação de preço único de 5 reais, a cada dois meses, no pavilhão do Bairro Cristo Rei; além disso, há bazar permanente (com valores variados) de quarta a sexta, das 15h às 18 hs, e no sábado, das 10 às 16 hs.
Despesa alta
Leidiane tem atualmente uma dívida de R$ 78 mil com veterinárias devido o atendimento a animais. Muito destas despesas é referente a diárias de animais nos estabelecimentos, por não ter local apropriado para levá-los. “Essa dívida é de apenas um ano, então se pensar que estou há mais de 17 anos na causa animal eu nem sei quanto gastei. Esses animais todos foram retirados da rua, uma responsabilidade que deveria ser da sociedade, porque animais na rua geram uma série de problemas, desde vários tipos de doenças. Mas as pessoas pararam de ajudar, porque pensam que a responsabilidade é só do protetor.”
Ademais, só o custo de manutenção dos animais é de R$ 4 mil mensais. “Sem doações os atendimentos estão suspensos e a dificuldade pra compra de ração está cada dia pior, como não recebo verba ou auxílio financeiro, não consigo manter esses valores sozinha. “Sem engajar mais pessoas tudo reflete no sofrimento dos animais que dependem de ajuda e já não damos mais conta.”




