Com ABF e Marreco no topo do futsal estadual, município se junta ao seleto grupo de Cascavel, Foz do Iguaçu e Londrina

Com ABF e Marreco, Francisco Beltrão pela primeira vez conta com mais de um representante na Série Ouro do Campeonato Paranaense de Futsal. Diante da aproximação do confronto entre os times, nesta quinta-feira, 17, no Ginásio Sarará, as discussões sobre vantagens e desvantagens da presença de mais uma equipe no cenário estadual voltam à tona. Se, por um lado, há quem acredite que um enfraqueça o outro, por outro, é possível entender o processo como prova de quão forte é o futsal beltronense.
A presença de ABF e Marreco na mesma edição da Série Ouro faz Beltrão entrar para um grupo seleto. Desde 1995, quando o Campeonato Paranaense de Futsal foi criado, apenas outros três municípios tiveram dois representantes na mesma temporada da divisão principal.
Londrina: Grêmio e Iate Clube
A primeira cidade a alcançar o feito foi Londrina, que entre 1995 e 1997 teve mais de um integrante. Em 95, Grêmio Londrinense e Canadá. No ano seguinte, AABB e Canadá. Já em 1997, estiveram na elite, juntos, Grêmio Londrinense e Iate Clube Londrina. O Grêmio foi vice em 1995. Entretanto, atualmente todos estão inativos. O Iate até conquistou o acesso na Série Bronze de 2018, mas não esteve na Prata do ano seguinte.
Foz, Asserpi e Foz Cataratas
No final dos anos 1990, o futsal paranaense era dominado por Foz Futsal — verde e branco, que nada tem a ver com o atual Foz Cataratas — e São Miguel. Entre 1996 e 2002, a dupla se alternou na conquista das taças, com o Foz arrematando em 96, 97 e 2001, e o Amarelinho em 98, 99, 2000 e 02.
Durante este período, surgiu em Foz do Iguaçu a Asserpi para medir forças com o vitorioso Foz. Logo na estreia da Série Ouro, chegou ao vice-campeonato. Participou novamente em 2000 e depois sumiu da elite.
Anos mais tarde, Foz do Iguaçu repetiu a dose. O Foz Futsal passou a dividir espaço em plena Série Ouro com a então Unipa, atual Foz Cataratas. Os dois disputaram a mesma divisão em 2010 e 2013.
“Em Foz sempre foi uma dissidência. Tudo. Quando teve os clássicos, era pegado, claro que o Foz Futsal tinha mais torcida que todos eles juntos. E tem mais um adendo: tinha um time na prata que se chamava Foz Cataratas, que também era verde. Atrapalhava em relação a patrocínio, mas o Foz Futsal sempre teve mais que os outros. Alguns jogos o Foz perdeu pra esses concorrentes da cidade”, recorda Wilson Veiga Junior, o “Rita Lee”, fundador e ex-presidente do Foz e um dos nomes mais influentes da modalidade no Paraná.
Neste caso, o Foz Cataratas se sobressaiu e assumiu o protagonismo no município. Já o Foz — verde e branco, tricampeão paranaense —, após anos fora, voltou ao cenário em 2021 e integra a Série Bronze.
Cascavel, Comercial e Cascavelense
Maior vencedor do futsal paranaense, com sete títulos da Série Ouro e um da Série Prata, o Cascavel também já enfrentou concorrente dentro da cidade. No ano da primeira conquista na elite, em 2003, a Serpente dividiu espaço com o Comercial.
A partir de 2013 e até 2016, teve a companhia do Cascavelense na Série Ouro. A “ACF”, como também era conhecida, foi criada em 2007. Disputou a Prata em 2008 e no ano seguinte decidiu mudar para Capitão Leônidas Marques. Em busca de apoio, o clube trocou sede novamente em 2010, quando foi para Corbélia e conquistou o acesso à Série Ouro. Permaneceu na elite e em 2013 retornou à cidade de origem.
Nei Victor avalia compara com Beltrão
“Não influenciou em nada. Eles tinham a vida deles e nós a nossa. Duraram pouco tempo, porque como o Cascavel é um time vencedor as empresas patrocinavam o campeão. Então, iniciar um outro time numa cidade que tem um vencedor é mais complicado do que em Beltrão, que tem um time forte, o Marreco, mas que ainda não tem grandes conquistas. Talvez seja mais fácil pra ABF do que era pro Cascavelense”, recorda Nei Victor, treinador por 20 anos da Serpente Tricolor.
Atual técnico do Mangueirinha, ele acredita no favoritismo do Marreco para o clássico desta semana. “Deve ganhar até com uma certa facilidade, apesar de que clássico é mais difícil. Sempre é complicado e pode dar uma zebra. A ABF é um trabalho novo. Mesma coisa de Cascavel. Faziam aquele fuzuê pro clássico, chega lá e duas vezes deu 7×1 pro Cascavel.”
Municípios com mais de um representante na Série Ouro (1995-2025)
- ● 1995 – Londrina (Grêmio Londrinense e Canadá)
- 1996 – Londrina (AABB e Canadá)
- 1997 – Londrina (Canadá, Grêmio Londrinense e Iate Clube)
- ● 1999 — Foz do Iguaçu (Asserpi e Foz)
- ● 2000 — Foz do Iguaçu (Asserpi e Foz)
- ● 2003 — Cascavel (Cascavel e Comercial)
- ● 2010 — Foz do Iguaçu (Foz e Foz Cataratas)
- ● 2013 — Foz do Iguaçu (Foz e Foz Cataratas)
- ● 2013 — Cascavel (Cascavel e Cascavelense)
- ● 2014 — Cascavel (Cascavel e Cascavelense)
- ● 2015 — Cascavel (Cascavel e Cascavelense)
- ● 2016 — Cascavel (Cascavel e Cascavelense)
● 2025 — Francisco Beltrão (ABF e Marreco)
*Com informações do livro “História do Futsal de Paranavaí”, de Rafael Octaviano de Souza.






