Caminhada e concentrações no centro e bairros alertaram população sobre o problema.

Em 2024 a rede de proteção recebeu 199 denúncias de supostos abusos sexuais a crianças e adolescentes de Francisco Beltrão para serem investigados. O número foi exposto ontem, 16, durante a programação alusiva ao Maio Laranja e ao Dia Nacional de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes, 18 de maio.
A programação aconteceu no Calçadão Central e nas regiões onde instalados os centros de referência em assistência social (Cras), na cidade – São Miguel, Padre Ulrico – e Creas – Bairro Miniguaçu –, reunindo autoridades, servidores públicos, vereadores, entidades assistenciais e estudantes de quatro colégios estaduais. Nos territórios dos Cras e Creas houve ações de sensibilização dos moradores para o problema.
Felipe Guerios, secretário municipal de Assistência Social, comentou que “essa é uma temática muito sensível, é trabalhada durante todo o ano, mas alusiva ao mês de maio, por ser um assunto sensível, é nosso dever fazer essa conversa, essa sensibilização da sociedade, instruindo e informando, principalmente, quais os meios de realizar denúncias. Então, por isso, passamos o mês todo trabalhando essa temática, principalmente nos nossos equipamentos e também nas nossas redes de proteção”.
Plantio simbólico
No Calçadão Central houve breves discursos no espaço coberto. Participaram o prefeito Antonio Pedron (MDB), vice-prefeita Lurdinha Bertani (Podemos), primeira-dama Rose Pedron, secretário Felipe Guerios (Assistência Social), vereadores, demais secretários, diretores de instituições ligadas à assistência social e educação e alunos dos colégios estaduais Suplicy, Tancredo Neves, Léo Flach e João Paulo 2º.
Na sequência, houve o plantio simbólico de 199 flores amarelas simbolizando as denúncias recebidas pela rede de proteção em 2024 sobre supostos casos de abuso sexual a crianças e adolescentes de Beltrão. O encerramento aconteceu com uma caminhada pela Av. Júlio Assis Cavalheiro em que as pessoas carregaram faixas, baners e distribuíram flores artificiais amarelas com a divulgação do Disque 100, para denúncias de abuso ou exploração de crianças e adolescentes. “O Disque 100 é o contato do Conselho Tutelar, que vai fazer o contato diretamente com as pessoas e todo o atendimento inicial”, explicou o secretário Felipe.
Ele enfatizou que “o Conselho Tutelar vem trabalhando arduamente na cidade, observando os casos e atendendo as denúncias, principalmente. Temos também a ferramenta da escuta especializada, que trabalha praticamente dia e noite, atendendo os socorrentes, acompanhando e dando os devidos encaminhamentos. Vale lembrar que o trabalho todo também é importante ser feito em rede, então essa ação, especialmente, é um trabalho em conjunto com a rede de proteção, que envolve, além da assistência, a saúde e educação”.
Tem que denunciar
O prefeito Pedron disse que uma das formas de resolver este problema envolvendo crianças e adolescentes é através da adoção de políticas públicas e do acesso à educação. Ele enfatizou que se há casos de abusos, as pessoas não pode se calar. “Tem que fazer a denúncia, não pode ter medo, para que as pessoas mal intencionadas não cometam abusos”, afirmou. Pedron destacou a grande presença de representantes das instituições que integram a rede de proteção dos direitos da criança e adolescentes no evento no Calçadão. Também agradeceu à Cresol .pelo apoio à programação.
Denúncias de abusos aumentaram no Brasil e em Beltrão
Ines Koop, da coordenação do Centro de Referência em Assistência Social (Creas), que funciona no Bairro Miniguaçu, fez um rápido pronunciamento no Calçadão Central e confirmou que foram recebidas 199 denúncias de supostos casos de abuso sexual em Francisco Beltrão recebidas em 2024. “
Esses 199 casos, são os casos de suspeitas de abuso e violência sexual, que passaram pela escuta especializada.
O número é expressivo o município de Francisco Beltrão que tem quase 102 mil habitantes, tanto que Nilce disse “que estamos bastante preocupados, porque esse número tem aumentado de ano após ano”. Ela contou que as denúncias vêm aumentando, em nível local e nacional. “Quanto os dados que temos a nível municipal, eles mostram que a maioria dos casos estão acontecendo dentro do ambiente familiar ou de pessoas próximas as crianças”. Por isso, explicou que o objetivo do evento do 18 de maio “é justamente esse, de conscientizar a sociedade sobre o tema, chamar a atenção para que todos se engajem nessa luta e na garantia da proteção e direito das crianças”.






