Há alguns dias, resgatei uma cadela abandonada em meu bairro. Ela apresentava sinais de maus-tratos. Estava muito magra, com as costelas e o osso da bacia à vista. Muito dócil, surgiu durante a noite no meio de uns arbustos próximos à minha casa, quase verbalizando um pedido por comida e água. Após oferecer os primeiros cuidados que consegui naquele momento, me perguntei o que eu poderia fazer além de apenas dar a ela um pouco de comida e água.
Conversando com meu cunhado, ele me indicou entrar em contato com o Centro de Zoonoses. Foi aí que, pela primeira vez, conheci o espaço criado para o bem-estar animal em Francisco Beltrão em 2019. Chegando lá, em um resgate solidário, você precisa assinar alguns termos, se colocando como responsável pelo animal, e dar um nome a ele. Dei a ela o nome de Frida, em homenagem à pastora alemã que vem sendo treinada pelo cabo Zanchet, do 10° Batalhão de Bombeiro Militar de Francisco Beltrão, como cão de resgate e salvamento. O primeiro cão da região e o único que estará em atividade no Oeste e Sudoeste.
Visitar o Zoonoses é um grande choque de realidade. Muitos animais ali – provavelmente todos eles – foram vítimas de maus-tratos. Entre eles, um me chamou a atenção. Seu nome era Facada. Quando retornei em outro dia para fazer uma matéria com o médico-veterinário Everton Leonardi, responsável pela instituição, o Facada estava solto. Dócil e brincalhão, ele foi resgatado de pessoas que o agrediram com golpes de facão.
É um ambiente completamente diferente de um pet shop, onde você vai para escolher uma raça que seja adequada ao seu estilo de vida. No Zoonoses, Everton diz que grande parte das pessoas que visitam para adoção – e são poucas as que vão com esse propósito – querem animais de porte pequeno, como o pinscher zero ou o poodle mini toy. A maior parte dos animais resgatados são de médio e grande porte, o que dificulta a adoção. Existem animais que chegaram filhotes e ainda estão lá, já na fase adulta de suas vidas.
A instituição desempenha um importante trabalho de cuidado, recuperação, castração e adoção. Mas, como tudo na vida, também possui limitações. Sozinhos, eles sempre estarão correndo atrás e nunca alcançando o objetivo. É um trabalho que deve ser desenvolvido em conjunto com a sociedade.
Não estou aqui com a intenção de fazer críticas a quem deseja adotar um animal de determinada raça. Só estou chamando atenção para a necessidade dos mais de vinte animais que ainda estão lá e dependem de uma adoção. Somos 100 mil habitantes nesta bela cidade. Acredito que existam vinte lares com espaço – e a boa gente beltronense – para adotá-los e dar a segurança que eles merecem.





