Reforma agrária: Há 40 anos, situação explosiva no Sudoeste

Acampamento de Marmeleiro, em 1985: 400 famílias.

“A violência pode explodir a qualquer momento em Marmeleiro, no Sudoeste do Estado, onde estão acampadas 400 famílias de agricultores sem-terras. As reservas de comida estão chegando ao fim e também há o problema da falta de lenha, que é tão importante quanto a alimentação, já que é empregada no preparo das refeições e para aquecer as barracas nas frias noites do inverno rigoroso do Sudoeste. Para amenizar a situação, a Prefeitura de Marmeleiro se comprometeu a enviar um caminhão de lenha diariamente aos acampamentos, mas os sem-terras dizem que essa quantidade não atende nem a um terço das necessidades. Por isso, desobedecendo ordens, eles vão ao mato buscar lenha e gravetos.”
O Estado do Paraná, 27 de julho de 1985

Cerco policial se intensifica com novos acampamentos

“Polícia combate invasão e amplia cerco
Com a notícia de que chegaram as 60 famílias de agricultores sem terra no acampamento de Chopinzinho – o menor dos três montados há cinco dias na região Sudoeste do Paraná, onde oito mil pessoas já armaram barracas para reivindicar a implantação urgente da reforma agrária –, as polícias Rodoviária, Civil e Militar passaram a agir ontem com mais rigor, para tentar desmobilizar o movimento. O Batalhão de Choque da Polícia Militar, vindo especialmente de Curitiba, realizou uma operação de desarmamento da população do município de Chopinzinho.”
O Estado de S. Paulo, 14 de julho de 1985

A solidariedade começa a se articular

Campanha para ajudar os sem-terra do Sudoeste
“É grave a situação de aproximadamente 1.600 famílias de sem-terra que estão acampadas desde quarta-feira em três municípios da região Sudoeste: Salto do Lontra, Marmeleiro e Chopinzinho. Diversos segmentos da sociedade sudoestina deverão se mobilizar nos próximos dias com a finalidade de arrecadar alimentos, remédios e agasalhos, porque as famílias de trabalhadores rurais estão passando fome e frio.”
Folha de Londrina, 14 de julho de 1985

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A espera pela reforma agrária

A terra prometida
“Se o governo federal implantar a reforma agrária a partir de setembro, conforme anunciou no final da semana passada o ministro Nelson Ribeiro, e se as cerca de duas mil famílias sem terra acampadas no Sudoeste forem beneficiadas com a medida, isso significa que permanecerão nos acampamentos em condições precaríssimas por mais dois meses, sem alimentação e com problemas de saúde.”
Correio de Notícias, 23 de julho de 1985

Reação dos proprietários rurais

Proprietários do Sudoeste fazem pacto contra invasão
“Os oito sindicatos que representam cinco mil proprietários da área de maior conflito na região Sudoeste – onde se concentram três grandes acampamentos dos sem-terra exigindo a reforma agrária – fizeram, ontem, um pacto de defesa. Se ocorrer alguma invasão, as lideranças de todos os sindicatos e os proprietários rurais se reunirão e irão montar acampamentos nas áreas invadidas.”
Correio de Notícias, 25 de julho de 1985

A dura realidade dos acampados

Entre a guerra e a paz
“Há vinte e cinco dias acampados, os agricultores sem-terra do Sudoeste paranaense esperam que o governo estadual fique sensibilizado com a situação precária que estão vivendo e os assente em terras que possam ser deles. Enquanto isso não acontece, a vida nas barracas é a pior possível, falta comida, remédio e lenha.”
O Estado do Paraná, 4 de agosto de 1985

O fortalecimento da organização dos sem-terra

Organização, força dos sem-terra
“A fome, o frio, o descaso, as mortes e as perseguições – ao invés de enfraquecerem os movimentos dos sem-terra – serviram para fortalecê-los ainda mais, e hoje o Paraná é reconhecido em nível nacional como o Estado onde a classe está mais organizada. Hoje não somos nem um, nem dois, mas cem, milhares, milhões. Esta é a palavra de ordem do Movimento Nacional dos Trabalhadores Sem Terra calculados em aproximadamente 14 milhões e que no Sul possuem uma organização abrangendo cinco Estados: Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.”
Folha de Londrina, 11 de agosto de 1985

Pressão por resultados concretos

Sem-terra bloquearão estradas
“Esta decisão foi comunicada a uma comissão de deputados e outras lideranças que visitou [visitaram] os acampamentos.
Os 1.328 sem-terra que estão acampados no Sudoeste do Estado – em Chopinzinho, Salto do Lontra e Marmeleiro – decidiram bloquear estradas no próximo dia 6, como forma de pressionar o governo estadual pra que a promessa de assentamento seja cumprida, já que o governador José Richa fixou em 15 de setembro o prazo para a solução do problema. Além disso, os sem-terra de Marmeleiro resolveram acampar, no dia 3, diante da sede do Incra, em Francisco Beltrão, também como uma forma de pressão.”
Folha de Londrina, 29 de agosto de 1985

A luta narrada pela imprensa alternativa

Cambota
“Sindicatos fazem arrastão nos acampamentos. Sem organização não sai reforma agrária. A luta pela conquista da terra tem respaldo na Bíblia.”
Cambota número 111, Assesoar, agosto de 1985

Denúncias de negligência no atendimento

Acampados recebem leite e remédios já vencidos
“O candidato a vice-prefeito de Curitiba pelo PT, Lafaiete Neves, voltou com uma denúncia da viagem realizada junto a parlamentares dos agricultores sem-terras do Sudoeste do Estado: “Os remédios e o leite que o governo do Estado enviou aos acampados estão vencidos”. O mais grave é que o Paraná recebeu do governo federal uma verba para ajudar os acampados.”
O Estado do Paraná, 30 de agosto de 1985

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