Ceratocone aumenta risco de catarata em jovens

Uso frequente de colírio com corticoide e progressão da miopia são os gatilhos. Foto: freepik.

Maior causa de transplante de córnea que não para de receber novas inscrições na fila da cirurgia segundo o SNT (Sistema Nacional de Transplantes),  o ceratocone afina e faz a córnea tomar o formato de um cone impulsionado, sobretudo, pelo aumento da poluição e aquecimento global.

O supervisor de segurança do trabalho Marcos Nascimento, 34, convive há anos com 5 graus de astigmatismo irregular que lhe causou a doença. Nascimento também tem 22,5 graus de miopia e conta que desde criança não enxerga bem. Usa lente de contato para corrigir a visão desde o início da alfabetização e sofreu muito na escola com a visão curta da miopia. Isso porque  é alto e os professores não permitiam que se sentasse numa carteira próxima à lousa para não atrapalhar a visão dos colegas menores.

Há alguns meses foi surpreendido ao ser reprovado no exame de renovação da CNH. “Esta situação é recorrente nos  consultórios”, afirma o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto, diretor executivo do Instituto Penido Burnier de Campinas. Um levantamento feito nos prontuários de 940 pacientes do hospital com idade  entre 22 e 54 anos, mostra que mais da metade só passa por consulta  quando vai renovar a CNH ou sente algum desconforto no olho.

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 Riscos da alta miopia

Como se fosse pouco  o ceratocone e a alta miopia nos olhos de Nascimento,  aos 14 anos sofreu um descolamento de retina e até pensou que ia ficar cego, comenta. Queiroz Neto que é membro fundador  da Abracmo (Academia Brasileira de Controle da Miopia e Ortoceratologia), explica que um número cada vez maior de brasileiros corre risco de ter descolamento de retina,  condição que pode cegar e em muitos casos está associada ao excessivo crescimento do eixo axial do globo ocular provocado pelo abuso de telas que pode predispor à alta miopia. O especialista afirma que é para evitar este risco, o glaucoma e a degeneração macular que os oftalmologistas membros da Abracmo não se cansam de trabalhar pela conscientização dos pais  para controlar o uso de telas pelas crianças e  de lentes que comprovadamente  diminuem a progressão da miopia.

 Diagnóstico de catarata

Paciente há mais de 10 anos de Queiroz Neto, Nascimento   descobriu em uma consulta após ser reprovado no exame da CNH que o grau da lente de contato continuava o mesmo.  Mas  recebeu o diagnóstico de catarata, doença que embaça o cristalino e pode causar  a perda completa da capacidade de enxergar caso não seja operada.

O único tratamento para catarata é a cirurgia em que o cristalino opaco é substituído pelo implante de uma lente intraocular. Queiroz Neto afirma que a cirurgia só pode ser realizada quando o ceratocone está estabilizado há um ano. Nos olhos de Nascimento estava estabilizado há mais tempo e em  julho do ano passou pela cirurgia com Queiroz Neto sem uma única intercorrência. “Eu nunca enxerguei tão bem na minha vida! Nunca imaginei que pudesse enxergar tão bem. Não vejo a hora de receber meus óculos.” diz contente.

 Fatores de risco

Queiroz Neto afirma que o diagnóstico de catarata entre jovens com ceratocone é mais comum do que se possa imaginar. Os fatores de risco elencados pelo oftalmologista são:

1. Aumento da produção de radicais livre no cristalino causado pelo enfraquecimento da córnea com a perda dos ceratócitos, células da córnea que se interconectam com outras para produzir o colágeno, substância essencial à integridade da lente externa do olho.

2. Uso frequente de colírios com corticoide para aliviar a coceira nos olhos que  eleva o estresse oxidativo e a dispersão das células do cristalino.

3. Maior predisposição à miopia progressiva que aumenta a formação de radicais livres no cristalino.

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