Quanto mais estudo e acompanho a atividade leiteira na nossa região, mais me convenço que nós, sudoestinos, estamos sendo trouxas.
O Sudoeste do Paraná deve ser uma das melhores regiões do mundo para se produzir leite, mas estamos ainda muito longe de realizarmos parte importante desse nosso imenso potencial leiteiro e ele não é nem divulgado.
As grandes indústrias já entenderam esse nosso potencial e por aqui chegam à procura do nosso leite.
Empresas como Piracanjuba se instalando em São Jorge do Oeste e Lactalis através da Cativa, cooperativa que agora é presidida por um sudoestino. Além disso a Sooro/Renner em Francisco Beltrão com investimento bilionário para aproveitamento do soro dos nossos laticínios.
No entanto, o produtor de leite é o último a ganhar poder nessa cadeia produtiva. É o elo mais fraco, o que tem mais dificuldades de se organizar para enfrentar o mercado e a concorrência muitas vezes cartelizada e é predatória.
Claramente, o desafio que se coloca agora é como elevar a produção, fazer com que o produtor seja estimulado não apenas pelo preço, mas principalmente pela renda.
Pode parecer estranho, mas preço não garante renda, ainda que a torne mais fácil. O problema tem sido esse, nessa gangorra de preços, o produtor é estimulado e logo à frente desestimulado.
Somente produtores com capacidade de se profissionalizar, de ter projetos sustentáveis, com bom planejamento e gestão, bem como com respaldo institucional, sobretudo de cooperativas capazes de fidelizar seus associados, com dirigentes próximos da base e comprometidos com ela, terão mais possibilidades de permanecer e crescer na atividade.
Isto precisa ser dito e colocado em prática na nossa região, carente de orientações estratégicas para o setor. Onde estão nossas universidades? Nosso IDR-PR? Nossos secretários municipais de agricultura? Sindicatos, etc.?
E tomemos o exemplo do município de Francisco Beltrão, com suas 17 mil vacas na ordenha e seus 100 milhões de litros por ano de leite, em menos de dez anos pode, sim, dobrar esta produção, beneficiando grande parte dos seus mais de mil produtores de leite.
E, no entanto, não precisa aumentar muito a área de terra a ser ocupada com a atividade, talvez passar de 15% para algo mais de 20%.
Mas precisamos, sim, de política públicas estruturantes, mas com políticos que saibam explicá-las ao povo e lutar por elas, sem cair no discurso fácil de bater no governo federal e no Mercosul.




