Situação é preocupante e reajustes já começam afetar os preços para o consumidor final.

Wellington Basso/Educadora DV
O transportador de cargas está sentindo, desde o início de março, as variações no preço do óleo diesel.
O reajuste é um reflexo da guerra entre Estados Unidos e Irã que fez com que os valores subissem de forma brusca e, muitos transportadores, em virtude de contratos firmados, estão trabalhando no vermelho.
“No começo de março começamos a ter esses problemas. No dia 5 começou a mexer no combustível, aí tivemos reajustes no dia 8, dia 10 e foi aumentando. O governo não se manifestou, a Agência Nacional do Petróleo não se manifestou, a Petrobrás também não, até o dia 20. O diesel foi aumentando e chegamos a um reajuste de R$ 1,60 a R$ 1,80 o litro na bomba. Isso é grave porque a gente não consegue mudar alguns contratos. Eu, por exemplo, tenho um contrato com a MBRF e é difícil de alterar repentinamente. Precisa passar por uma série de processos e as embarcadoras maiores são todas assim, trabalham com contratos que precisam ser cumpridos para não gerar multas. Estamos trabalhando no vermelho. Isso é preocupante porque já chega no consumidor final. O governo tirou o PIS/Cofins, não repercutiu muito porque a Petrobrás aumentou o valor do diesel, ficou elas por elas”, explicou Volmar Sarturi, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Vale do Iguaçu (Sindivale), em participação no Programa Sete e Meia da Rádio Educadora FM.
O custo do combustível já representa 65% dos valores recebidos pelo frete. “Vínhamos com uma margem para manter, mas agora estamos num ponto crítico.
Você tem um caminhão, falando dos nove eixos, por exemplo, onde 65% do que recebemos com o frete vai com o custo do óleo diesel. Aí tem mais uma porcentagem do motorista, mais imposto, outros custos e no final a conta não fecha.
Ninguém trabalha sem lucro e o transporte não é diferente. Outra situação que gera preocupação é a questão do biodiesel que está entrando no mercado e é um problema sério.
Tivemos reuniões com a ANP, a porcentagem de biodiesel é de 15% e já está ocasionando problemas e o governo quer aumentar para 20% essa adição”, lamenta.
Ele destacou que o cenário de quebra na safra também gera consequências para o transporte.
“A safra de começo de ano teve alguns percalços, agora temos dificuldades com a seca aqui no Sudoeste, no Mato Grosso do Sul, no Mato Grosso, mas isso é normal, de um ano para o outro a gente vai administrando e estamos acostumados com essas frustações”, completou.
A regulamentação da tabela do frete tem ajudado, mas ainda precisa de ajustes.
“Eu vejo com bons olhos essa tabela mínima que o governo começou a cobrar. Foi criado um órgão controlador para exigir essa tabela do embarcador e o transportador está no meio do caminho. Vale ressaltar que muita gente subcontrata o frete, ou seja, o empresário tem uma transportadora, vai numa empresa grande, pega o frete, e precisa sublocar e, por isso, contrata outros profissionais. Por isso o governo fez esse controle. Tudo tem um mínimo para que o transportador tenha um frete digno. Existia o frete de retorno, por exemplo, que o transportador subia e, para voltar, pegava qualquer coisa e isso o governo quis corrigir também. Isso tem gerado multa para embarcador e para empresas que subcontratam o frete. O DER, em nível de Estado, também está atrapalhando o transporte. Eles estão agindo muito forte e exigindo muitas coisas. O governo tinha que dar a manutenção correta das rodovias, um espaço decente e aí depois, quem sabe, cobrar, entretanto, eles cobram da gente sem dar a estrutura. Eu sempre digo que o transporte é tão importante quanto a lavoura ou a indústria porque não adianta produzir muito se não tivermos o transporte rodoviário porque o ferroviário, aquaviário aparecem muito pouco”, conclui.





