
Em entrevista coletiva no Senado, o senador Sergio Moro (PL) afirmou que sua retirada da CPI do Crime Organizado foi resultado de uma articulação política para impedir sua participação na votação do relatório final — 6 a 4 contra o relatório do senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Segundo Moro, a decisão não teve caráter técnico, mas sim estratégico:
“Fui retirado da CPI justamente no momento decisivo, para não poder votar o relatório final”, declarou. A favor do relatório votaram: Alessandro, Eduardo Girão (Novo-CE), Espiridião Amin (PP-SC) e Magno Malta (PL-ES). Contra o relatório: Beto Faro (PT-PA), Teresa Leitão (PT-PE), Otto Alencar (PSD-BA), Humberto Costa (PT-PE), Soraya Thronicke (PSB-MS) e Rogério Carvalho (PT-SE).
Troca de integrantes
Na abertura dos trabalhos, houve a troca de integrantes do colegiado. Os senadores Teresa Leitão e Beto Faro substituíram os senadores Sergio Moro e Marcos do Val (Avante-ES), integrantes do bloco partidário formado por MDB, PSDB, Podemos e União Brasil.
A substituição ocorreu a pedido do líder do bloco desses parlamentares, Eduardo Braga (MDB-AM), a quem cabe indicar os integrantes do colegiado.
Moro: “Essa foi uma manobra clara para controlar o resultado da comissão e evitar posições independentes. Quando se impede um parlamentar de votar, o que está em jogo não é só um nome, mas a própria transparência do processo”.
120 dias de trabalho
A CPI investigou o modus operandi de facções e milícias em diferentes regiões do país. Além de investigar a ocupação territorial por facções, a CPI fez um levantamento dos crimes relacionados às atividades econômicas, à lavagem de dinheiro e de infiltração no Poder Público, como no caso do Banco Master.
O relatório foi apresentado após 120 dias de trabalho. Com 220 páginas, o parecer de Vieira traz um retrato do funcionamento do crime organizado no Brasil e propõe medidas para combater o avanço da criminalidade.
Para o relator, “o fenômeno da criminalidade organizada no Brasil atingiu um patamar de complexidade e enraizamento que representa uma ameaça concreta à soberania do Estado, à democracia”.






