
Onde quer que estejam, é possível imaginar que nona Luiza Troian Vanazzi (1927–2014) e nono Florindo Vanazzi (1926–2020), que, em 1948, migraram do Rio Grande do Sul para o atual município de Francisco Beltrão, contemplariam com alegria a celebração realizada na Linha São Paulo, reunindo todos os seus filhos.
Afinal, é cada vez mais raro que 12 irmãos — sete mulheres e cinco homens, todos com mais de 50 anos — consigam se encontrar. Embora os diferentes caminhos trilhados ao longo da vida tenham levado cada um a distintas cidades do Brasil — como Redenção (PA), Erechim (RS), Cruzeiro do Iguaçu (PR), Natal (RN), Pato Branco (PR), Sorriso (MT), Marmeleiro (PR) e Vera (MT) —, os vínculos familiares permaneceram consistentes.
Bodas de Esmeralda de Marta e Jair Witt

A ocasião que tornou possível esse encontro foi especial: a celebração das Bodas de Esmeralda (40 anos de casamento) de Marta Vanazzi Witt e Jair Witt, cuja generosidade e empenho, aliados ao envolvimento das filhas, foram decisivos para mobilizar a presença de todos.
Um aspecto particularmente simbólico perpassa a comemoração: o casal homenageado reside no local onde os pais de Marta se estabeleceram décadas atrás, o que, mais do que permanência geográfica, expressa a continuidade de uma história enraizada no espaço, preservando a memória familiar e reforçando a conexão entre passado e presente.
A cena, por si só, é expressiva: irmãos que compartilharam a infância, seguiram trajetórias distintas, constituíram suas próprias famílias e, ainda assim, mantiveram um vínculo capaz de resistir ao tempo e a distância.
Não se trata apenas de um momento, mas da celebração de uma história coletiva construída desde cedo, sob a orientação dos pais — figuras centrais na formação dos valores que ainda hoje os unem.
Esse reencontro singular carrega a simbologia de um momento inesquecível, marcado por abraços prolongados, risadas compartilhadas e memórias que atravessam décadas. Entre lembranças da infância, relatos de desafios superados e de descontração, os irmãos revisitaram experiências que contribuíram para a construção de suas identidades.
Ao final, entre fotografias e despedidas, permanece a consciência de que acontecimentos como esse são raros — e, justamente por isso, profundamente significativos.
Em um tempo marcado pela aceleração e pela fragmentação das relações, a reunião dos 12 irmãos suscita uma reflexão que ultrapassa o registro factual: a família, mais do que um dado biológico, constitui-se como uma construção ética e afetiva, sustentada por escolhas contínuas de cuidado, presença e responsabilidade mútua.
Emocionada, Maria Vanazzi Mezzomo ressalta que momentos como esse renovam o sentido de pertencimento e reafirmam a importância de preservar os vínculos.
Mais do que um dado numérico, o encontro revela um legado em continuidade: valores transmitidos pelos pais que permanecem vivos nas relações entre os irmãos e se projetam nas novas gerações (filhos, netos e bisnetos), assegurando, assim, não apenas a memória do passado distante, mas a permanência de um modo de ser família no tempo presente.
Colaboração na reportagem: Professor Ricardo José Mezzomo (mestre e doutor em Educação, atua no ensino superior em Blumenau (SC) e na educação básica catarinense.
E-mail: [email protected]






