SUDOESTE DO PARANÁ

Produtor de leite de Verê migra de produção


Após décadas na produção leiteira, José Perardt encerrou a ordenha diária e passou a atuar na recria de novilhas, apostando em genética e reposição de animais para atender às novas exigências do mercado.


José Perardt deixou a produção de leite, mas continua no setor agropecuário.
Flávio Pedron/JdeB/JdeB

O produtor rural José Perardt, um dos fundadores da Associação de Produtores de Leite (Aprual), em 1995, e do Laticínio Alto Alegre, em 2001, alterou sua área de atuação no setor produtivo no início de 2026. Após décadas na atividade leiteira, Perardt encerrou a ordenha diária e passou a se dedicar exclusivamente à recria de bovinos de leite.

A mudança de atividade foi motivada pela escassez de mão de obra e pela ausência de sucessão familiar voltada à produção de leite na propriedade. Segundo o produtor, a transição permitiu o reaproveitamento das instalações existentes com baixo investimento, uma vez que a estrutura utilizada anteriormente para as vacas em lactação atende às necessidades das novilhas.

Histórico e fomento regional

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Em entrevista ao Jornal de Beltrão, Perardt relembrou o início da Aprual na Linha Alto Alegre, em Verê, quando o grupo de fundadores produzia cerca de 600 litros diários. Ele atribui o crescimento econômico e produtivo da comunidade à instalação do laticínio próprio, que incentivou o aumento do volume e da renda dos produtores locais. Hoje, a agroindústria emprega mais de 200 funcionários e recebe 300 mil litros/dia para processamento de subprodutos.

A evolução técnica da produção também foi destacada. Na década de 1990, a produtividade média na região oscilava entre seis e oito litros por animal/dia. Atualmente, propriedades na mesma localidade registram médias superiores a 30 litros diários, chegando a alcançar 40 litros em algumas unidades.

Foco em genética e mercado

O novo modelo de negócio consiste na compra de bezerras de produtores de Verê e da região, que são criadas na propriedade até os sete meses de idade e, posteriormente, comercializadas. O foco está em animais da raça Holandesa, predominante na região Sudoeste.

Perardt ressalta que, embora não trabalhe com animais puro de origem (PO), a seleção genética é rigorosa para atender às exigências do mercado atual. “Se não tiver boa genética, já não tem mais comércio. Para gado ‘mais ou menos’ de leite, não tem mais espaço. Se falar em novilha, menos de 30 litros na primeira [lactação], ninguém quer mais”, afirma o produtor.

A expectativa de Perardt é consolidar-se nesse nicho de mercado, atendendo criadores regionais que buscam animais de reposição com potencial produtivo elevado.

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