Mercado reage ao clima, câmbio e cenário externo atual.

A semana iniciada em 20 de abril foi marcada por preços firmes nos mercados agropecuários, tanto no cenário interno quanto externo, embora a liquidez doméstica ainda se mantenha moderada. É o que aponta a análise da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Fatores como condições climáticas nos Estados Unidos, oscilações do petróleo, variações cambiais e tensões geopolíticas seguem influenciando diretamente a formação de preços. Ao mesmo tempo, a expectativa de aumento da demanda chinesa trouxe um viés mais otimista para parte das commodities.
No ambiente macroeconômico, a projeção do PIB brasileiro para 2026 está em 1,86%, com o dólar cotado em torno de R$ 5,08 e inflação mensal (IPCA) de 0,66% em abril. O petróleo WTI registra valorização de 4,09%, sendo negociado a US$ 93,34, o que também impacta custos e margens ao longo das cadeias produtivas.
Carnes: ajustes de oferta e pressão nos preços
No mercado de carne bovina, o destaque continua sendo os preços elevados do boi gordo ao longo de abril, sustentados pela oferta restrita. No entanto, já há sinais de acomodação, com escalas de abate mais confortáveis e maior disposição de venda por parte dos pecuaristas. A proximidade do período seco tende a ampliar a oferta, pressionando as cotações. Além disso, o mercado futuro indica viés de queda, refletindo possível redução nas exportações, especialmente com o esgotamento da cota chinesa.
A carne de frango ainda enfrenta pressão decorrente do excesso de oferta, resultado do alto alojamento registrado no início do ano. Apesar disso, o setor começa a mostrar sinais de ajuste, com melhora nas margens em abril, sustentada pelo bom desempenho das exportações e redução gradual da oferta interna. A tendência de curto prazo é de recuperação moderada dos preços, condicionada ao equilíbrio entre produção e consumo.
Já a carne suína registra queda nos preços tanto no mercado do animal vivo quanto no atacado. A demanda interna segue enfraquecida, impactada pela concorrência com a carne de frango. Mesmo com exportações em níveis recordes, o volume embarcado ainda não é suficiente para aliviar a pressão sobre a oferta doméstica. O desempenho externo seguirá sendo decisivo para sustentar o setor.
Grãos e alimentos básicos: pressão e seletividade
O mercado de feijão apresenta comportamento distinto entre variedades. O feijão carioca mantém certa sustentação devido à escassez de lotes de melhor qualidade, embora a demanda permaneça cautelosa. Já o feijão preto enfrenta um cenário mais fraco, com consumo retraído, estoques confortáveis e preços baixos que ainda não foram suficientes para reaquecer os negócios. O resultado é baixa liquidez e um mercado em ajuste.
No caso do milho, o viés segue claramente baixista. A pressão vem da expectativa da safrinha, enquanto compradores tentam antecipar preços mais baixos. A valorização do real frente ao dólar reduz a competitividade das exportações, comprimindo os preços nos portos. Mesmo com condições razoáveis para a safra, o cenário indica dificuldades no curto e médio prazo.
A soja também apresenta queda nos preços internos, influenciada principalmente pela desvalorização do dólar e pelo recuo das cotações na Bolsa de Chicago. O resultado foi a segunda menor média semanal de preços em 2026, reforçando o momento de baixa no mercado nacional.
Leite: retração nos preços e cautela da indústria
O setor lácteo entra na segunda quinzena de abril com queda nos preços do leite spot (matéria-prima) em diversos estados. O movimento reverte parte das altas anteriores e reflete negociações mais cautelosas por parte das indústrias. A principal razão está na redução dos preços dos derivados, como leite UHT e queijos, o que diminui as margens e reduz o interesse pela compra de matéria-prima. Para as próximas semanas, o comportamento do consumo será determinante para definir a tendência do mercado.
Panorama geral

De forma geral, o cenário apresentado pela Conab indica um mercado ainda sensível a fatores externos e com ajustes internos em andamento.
Enquanto algumas cadeias enfrentam pressão de oferta e queda nos preços, outras encontram sustentação pontual, seja por restrição produtiva ou demanda internacional.
O equilíbrio entre esses fatores deve continuar definindo o ritmo do agronegócio brasileiro nas próximas semanas.




