Uma muito boa notícia para o movimento queijeiro do nosso Sudoeste do Paraná. Em agosto do ano passado a Queijaria Pardinho Artesanal, no município de Pardinho, Estado de São Paulo (próximo de Piracicaba), exportou 600 quilos para os Estados Unidos do seu queijo Mandala de leite cru, curado por aproximadamente um ano. Sem dúvida, uma façanha e já estão pensando em abrir outros mercados, como o do Japão.
O sucesso do queijo de leite cru é inegável, é um queijo com mais personalidade e mais complexidade de sabor. É como ouvir música em estéreo versus música mono, o leite cru é estéreo. A novidade é que os queijos tropicais não existem no velho mundo, o chamado “terroir tropicalizado”. Os americanos gostam de experimentar novidades.
Na hora de degustarem o queijo Mandala, sentimos notas que remetem ao “terroir tropical”, goiaba, pêssego, damasco, em queijo envelhecido entre 11 e 12 meses. A legislação exige que o queijo de leite cru seja curado ou envelhecido por 12 meses, mas com estudos de universidades, pode-se reduzir esse tempo para bem menos, por exemplo, para 14 dias como acontece com o queijo Canastra. O leite utilizado na Queijaria Pardinho Artesanal é da raça Girsey (mistura de Gir com Jersey), logo é um leite com base em raça zebuína.
O Brasil vive hoje uma revolução do queijo artesanal que nos EUA começou 30 anos atrás. A exportação do Mandala representa a exportação de um queijo com sabor delicioso ao ponto de redefinir as expectativas do consumidor. Esta qualidade tem a ver não apenas com raça, mas também com manejo o manejo animal e de pastos.
Quanto mais biodiversidade, mais interessante o leite, que traz mais diversidades de bactérias e sabores. As peças do queijo Mandala são rodas de 10 kg. O Mandala com seis meses de envelhecimento custa, na queijaria Artesanal Pardinho, R$ 187,72, e o quilo do queijo mandala com um ano de envelhecimento, custa R$ 243,69.
No nosso Sudoeste do Paraná ainda não sei de queijos artesanais tão valorizados. Por aqui já vi queijos de até R$ 120 o quilo ao produtor, mas o que tenho visto também é o quanto se eleva o preço do queijo até chegar ao consumidor. Uma vez conferi na parada de Três Pinheiros indo de ônibus a Guarapuava, que um queijo elaborado em Sulina era revendido por mais do dobro do preço recebido pelo produtor.
Por isso, a Aprosud (Associação dos Produtores de Queijos Artesanais do Sudoeste do Paraná) é importante. Os produtores de queijo precisam ter poder sobre a comercialização.




