Pato Branco tem menos veículos, mas arrecada mais.

Ilustração do ChatGPT.
Francisco Beltrão fechou o mês de março de 2026 com uma frota de 79.622 veículos. Desse total, são 41.769 automóveis, 16.633 motocicletas e motonetas, 11.688 caminhonetes e camionetas, 3.938 caminhões e caminhões-trator, 3.346 reboques e semirreboques, 1.545 utilitários e 553 ônibus e micro-ônibus, além de outras categorias.
Em janeiro, o município contava com 79.134 veículos — ou seja, um aumento de 488 unidades em apenas três meses, o que representa uma média mensal de 162 novos emplacamentos. Mantido esse ritmo, Francisco Beltrão deve atingir a marca de 80 mil veículos já em julho deste ano.
Pato Branco, por sua vez, possui uma frota de 73.080 veículos, 6.542 a menos que Francisco Beltrão. Um dado curioso é que Pato Branco tem mais caminhonetes: são 12.348, contra 11.688 em Beltrão. Já no número de motocicletas, a diferença é significativa: Pato Branco tem 11.313, ou seja, 5.320 a menos que Francisco Beltrão.
Essa diferença impacta diretamente na tributação. Pato Branco possui 39.079 veículos tributáveis, enquanto Francisco Beltrão tem 38.764. Isso ocorre porque há um grande número de isenções de IPVA em Beltrão, especialmente devido às motocicletas de até 170 cilindradas, que continuam isentas — política mantida desde o IPVA de 2025.
Além disso, no Paraná, veículos com mais de 20 anos de uso também são isentos de IPVA. E aqui aparece mais um fator que ajuda a explicar a diferença de arrecadação entre os dois municípios: Francisco Beltrão possui 26.399 veículos com mais de 20 anos, enquanto Pato Branco tem 23.639 nessa condição. Ou seja, Beltrão tem uma frota mais envelhecida, o que reduz ainda mais a base de arrecadação.
Vale lembrar que 50% do valor arrecadado com o IPVA fica no município, enquanto a outra metade vai para o Governo do Estado. Em Francisco Beltrão, a arrecadação total estimada gira em torno de R$ 42 milhões, sendo cerca de R$ 21 milhões destinados aos cofres municipais. Já Pato Branco, mesmo com menos veículos, arrecada anualmente R$ 583.324,21 a mais.
Diante desse cenário, surge uma reflexão importante sobre o trânsito em Francisco Beltrão. Estudos apontam que cerca de 40% das mortes no trânsito brasileiro e quase 60% das internações no SUS por lesões de trânsito envolvem acidentes com motocicletas. Isso ajuda a explicar uma realidade local: o município tem um grande volume de veículos impulsionado pelas motos, registra mais acidentes — também relacionados a esse fator —, mas arrecada menos com IPVA justamente por causa das isenções.
Esse desequilíbrio evidencia um problema: as despesas públicas com saúde — como internações, cirurgias e tratamentos — podem crescer mais do que a capacidade de arrecadação vinculada ao trânsito.
Outro ponto relevante é o perfil das vítimas. Dados mostram que 72,8% dos acidentados em motocicletas são homens, e 40,7% têm entre 20 e 29 anos. Ou seja, há um recorte claro de risco.
Por isso, fica o alerta: se você é homem, jovem e utiliza motocicleta, redobre a atenção. No trânsito, não basta estar certo — é preciso estar vivo. Cada decisão, cada cruzamento e cada movimento exigem cuidado e direção defensiva. No fim das contas, nada vale mais do que chegar em casa em segurança e poder abraçar a família.




