Estado quer descobrir casos escondidos de hanseníase

Estado quer descobrir casos escondidos de hanseníase

Reunião técnica sobre hanseníase com enfermeiros da Secretaria da Saúde.

O número de casos de hanseníase nos municípios da 8ª Regional de Saúde está abaixo da média nacional. Mas o programa de controle e prevenção no Paraná pretende identificar os casos omissos e tratá-los para, assim, destruir o ciclo de transmissão da doença. A proposta foi reforçada durante uma reunião técnica com a coordenadora estadual Nivera Noêmia Stremel, de Curitiba, na semana passada.

Participaram do encontro a secretária Cíntia Ramos (Saúde) e enfermeiros da rede municipal de Francisco Beltrão. Na oportunidade, eles ouviram as orientações de Nivera e compartilharam resultados e metas do trabalho de controle e prevenção da hanseníase no município. A conversa foi realizada no auditório do Complexo de Saúde Cango.

Para Nivera, o maior problema de “uma doença tão milenar” é a falta de informação sobre os sintomas. “O tratamento é gratuito em todos os postos de saúde. E o que muitos não sabem é que a doença está ao nosso lado”, lembrou ela em entrevista ao JdeB. Segundo a coordenadora, o Brasil identifica 40 mil casos todos os anos. Só no Paraná são 1.100 casos nos últimos cinco anos. Em 2010, nos municípios da 8ª Regional de Saúde, foram notificados 43 novos casos. Neste ano, já são 23 pessoas com hanseníase.

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Em Beltrão, o índice de notificações está abaixo da média nacional. Até agora, existem apenas seis casos da doença. “Quando a pessoa faz o tratamento, nós conseguimos interromper o ciclo da hanseníase. E em tratamento ela não transmite mais a doença. Mas para cada paciente precisamos avaliar toda a família e as pessoas do seu convívio. Por isso também precisamos trabalhar para buscar os que têm a doença, mas não estão em tratamento”, salientou.

Conforme Nivera, o Paraná é uma região endêmica e, por isso, depende da colaboração de cada município no combate à hanseníase. “Precisamos chamar a atenção da população para manchas na pele”, completou. (TC)

O que é hanseníase?

É uma doença que qualquer pessoa pode ter, adultos e crianças. O micróbio da hanseníase ataca os nervos, o que dificulta os movimentos das mãos, dos pés e dos olhos e causa amortecimentos. Se tratada no início, não causa deformações e nem deixa marcas.

 

Como pega?

Convivendo por longo tempo com pessoas que são portadoras das formas contagiosas e não estão em tratamento. Mas pode levar em média cinco anos para a doença aparecer na pessoa que tenha tido convivência prolongada com pessoas portadoras da hanseníase sem tratamento. Por terem defesas naturais, mais de 90% das pessoas não terão a doença, mesmo convivendo com pessoas doentes. Todos os que conviveram com quem teve a doença devem ser examinados no posto de saúde mais próximo de sua casa.

Sinais da hanseníase

Manchas que são amortecidas, não “pegam pó”, não suam e, às vezes, perdem os pelos; caroços que não coçam. Alguns aparecem e somem, inclusive na orelha; dificuldade para segurar objetos; tropeçar com frequência; bolhas que aparecem nos braços e mãos. Ferida na sola dos pés.

 

Tratamento e cura

A hanseníase é tratada pelos profissionais de saúde do SUS. O tratamento é gratuito, com comprimidos e cápsulas fornecidos pela equipe do posto de saúde. Além de receber os remédios, também são repassadas orientações sobre os principais cuidados. Na maioria das vezes, o tratamento leva de seis meses a um ano.

A hanseníase é uma doença que há muito tempo tem cura. Quanto mais cedo for tratada, menor a chance de causar deformidades.

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