Êxodo rural movimenta economia e impulsiona construção civil
| Thiago Chiapetti/JdeB |
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| Cenas como esta têm se tornado cada vez mais comum nos bairros da cidade. |
Para se adequar ao mercado de trabalho, Elisângela Mattei trocou a tranquilidade do interior pela rotina da cidade. Recém formada em Fisioterapia pela Unisep de Dois Vizinhos, ela já atende seus pacientes na clínica que inaugurou na Avenida Getúlio Vargas em Verê. Mas a decisão pela mudança é dos pais Neri e Marlene Mattei que são produtores rurais e também apostam na praticidade da vida nova.
“Os negócios do meu pai são quase sempre na cidade. Nunca se encontra ele em casa, ele está sempre aqui. Depois que eu fiz a faculdade ficou mais acessível morar aqui. E não tem a correria de ir e voltar todos os dias”, conta Elisângela sobre a opção da família.
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O dinheiro da venda de cinco alqueires foi usado na compra da nova morada. “A nossa casa já está pronta, mas vamos construir outra casa bem pertinho pros meus avós. Minha avó ficou doente e aqui é mais acessível até pra quando precisa de hospital. Como queríamos vir rápido, meu pai comprou casa pronta.” O antigo endereço, a Comunidade de Planalto, a 5 km do Centro, será o lugar de boas recordações de uma infância em família. “Passava o final de semana sempre brincando. São lembranças que vão ficar. Mas a maioria das pessoas já não mora mais lá. Vieram todos pra cidade”
Entre as características do campo, Elisângela destaca a segurança. “Às vezes a gente esquece, na hora de dormir, a janela ou a porta aberta. E lá só se ouve cachorro, vaca mugindo, passarinho cantando. Até dá pra escutar o barulho de carro porque é próximo do asfalto, mas aqui é uma das coisas que mais estranha”, diz a fisioterapeuta sobre os ruídos no Centro de Verê.
A história de Elisângela se iguala a de várias outras pessoas que estão saindo do interior e tentando a vida na cidade. Pelas ruas do Centro e dos bairros arredores podem-se observar várias obras de construção de casas e, principalmente, de prédios. E todos estes empreendimentos mostram o lado bom, de que a economia cresce, também mas evidenciam a falta de profissionais e a escassez de imóveis para alugar.
Profissão rentável
O pedreiro Vilmar Federizi trabalha na construção civil há 17 anos. Com o dinheiro que recebeu construindo e reformando imóveis já comprou sua própria casa e um carro. “O bom é que nunca falta serviço. O que falta é mão de obra, não arruma peão”, comenta o pedreiro.
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| Vilmar e Gabriel Federizi: pai e filho na mesa profissão. |
Gabriel Federizi, de 17 anos, viu nos bolsos o resultado da profissão que aprende com o pai. Ele trocou o turno dos estudos para poder se dedicar mais ao trabalho. “Dá pra fazer um monte de coisa. Dá pra fazer festa, já comprei um carro, um Gol. O ano que vem faço carteira, mas estou pagando. Comecei a trabalhar faz um ano. Mas faz um mês que estudo à noite. Quis mudar pra trabalhar e ganhar mais”, conta Gabriel.
O reflexo da falta profissionais apontada por Vilmar é confirmada por Paulo Weissheimer, da PJ Construtora. “Nos últimos dez anos o crescimento foi fantástico. A procura é grande. Falta mão-de-obra qualificada, é um problema grande. Temos feito duas equipes de uma que era grande. A pessoa que não é bem qualificada, com o auxílio de um bom mestre-de-obras ela consegue trabalhar bem”, explica.
| Thiago Chiapetti/JdeB |
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| Falta de mão de obra passou a ser um problema. |
O corretor imobiliário Norberto Lauter diz que atende, em média, 15 pessoas por dia. A clientela possui três perfis: os aposentados que se mudam para Verê em busca de descanso; os produtores rurais que migram pra cidade; e ainda o público interessado em trabalhar ou investir no município.
Imóveis
A maior dificuldade do mercado imobiliário, segundo Norberto, é a estrutura dos imóveis. “O pessoal quer casa. E aqui não temos casas. As pessoas não gostam de viver preso. O pessoal é criado solto, no campo, viver num apartamento o pessoal se acha preso. Já conversei com os proprietários de lotes para construírem casas menores. Quem vem do sítio não quer apartamento”, analisa.







