Preconceito e excesso de confiança ainda são o maior inimigo da prevenção contra o vírus HIV

Preconceito e excesso de confiança ainda são o maior inimigo da prevenção contra o vírus HIV

Profissionais da saúde da microrregião de Beltrão que atendem na rede pública de atenção básica. 

Incentivar o uso da camisinha não é mais a principal preocupação das autoridades de saúde, mas continua sendo uma importante ferramenta de combate ao vírus HIV. Agora já se fala em agilizar o diagnóstico da Aids e em combater o preconceito. E a abordagem é considerada um desafio tanto para o Ministério da Saúde quanto para o Serviço de Assistência Especializada (SAE) que atende a microrregião de Francisco Beltrão.

O público-alvo inclui homens e mulheres jovens (13 a 29 anos), mas desde os últimos anos acrescenta homens que fazem sexo com outros homens. E com o advento das pílulas para ereção, os idosos com mais de 80 anos também passaram a transmitir o vírus HIV. Apesar dos problemas de contágio, o preconceito da sociedade e, mais ainda, entre os profissionais de saúde, têm sugerido novas estratégias para as políticas de prevenção.

Ontem o SAE reuniu cerca de 100 pessoas entre médicos e enfermeiros que fazem parte da rede pública de atenção básica à saúde. No auditório do Espaço da Arte, a secretária Cíntia Ramos (Saúde) , de Beltrão, enfatizou a necessidade do que chamou de “troca de experiências”. Ou seja, uma oportunidade para que doentes de Aids sejam assistidos em todas as unidades de saúde como num serviço especializado.

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O médico do SAE Valdir Spada reconhece que o problema da desinformação começa pela própria classe. “O paciente se discrimina, mas entre os médicos também há o preconceito. Quando se fala em cirurgia de um aidético, o rumo da conversa muda”, comenta o clínico geral que atende os pacientes do SAE. Ele foi um dos palestrantes de ontem.

Para o chefe da 8ª Regional da Saúde, Alceu Storchi, sempre houve descrédito em relação à Aids. “Este é um assunto que deve ser tratado com seriedade porque a prevenção não traz apenas economia (para os cofres públicos), mas evita prejuízos psicológicos do ser humano.”

 

Cinco óbitos e 302 pacientes

Em 2011, segundo os dados divulgados pelo SAE, ocorreram cinco óbitos. Destes, apenas uma pessoa era acompanhada pelo serviço especializado. Os outros foram identificados muito tarde. Por outro lado, pacientes em tratamento têm apresentado uma vida de qualidade, como ocorre em um dos casos em que um aidético é acompanhado há quase 20 anos.

Em toda a microrregião beltronense, são 302 pacientes cadastrados — a maioria é mulher. Mas, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), há outros cinco para cada caso conhecido. Os que são identificados recebem remédio e fazem exames sem nenhum custo. O controle dos portadores do HIV (quando a doença ainda não se manifestou) é feito a cada seis meses.

 

Confiança: sexo sem camisinha

Confiar demais pode custar caro para todas as classes e faixas-etárias. Entre os jovens, o excesso de confiança se tornou um fator de risco. “Esta geração não se preocupa talvez porque não viveu a época em que não havia tratamento contra a Aids. Por isso existe uma falta do medo de pegar Aids”, opina a psicóloga Cláudia Antonelli.

No cenário das mulheres casadas, novamente a estabilidade conjugal se transforma no maior vilão. “Esposas de homens que trabalham fora e passam muitos dias longe de casa também são vítimas. O homem acaba contaminando duas mulheres. Por isso o índice é maior entre elas.”

Outra parcela da população traída pela confiança excessiva é a terceira idade. “Os idosos têm uma resistência muito grande, eles dizem que conhecem as mulheres. Muitos ainda associam o preservativo à promiscuidade. E tem também a questão de que é desconfortável porque eles não foram ensinados a usar preservativo”, comenta a psicóloga Cláudia.

Para dr. Spada, a população idosa se demonstra conhecedora dos riscos e dos métodos de prevenção. “De uns tempos pra cá, eles passaram a se relacionar mais e a ter uma vida sexual mais ativa. O idoso diz que é consciente, mas não faz uso desta sabedoria. Na prática eles não usam preservativo.”

 

Drogas

O uso de drogas é outra ponte de acesso ao vírus HIV. Para sustentar o vício, os usuários se submetem à prostituição. E além dos riscos de morte, drogas e sexo acabam gerando vida. Pode soar controverso, mas a contaminação vertical (da mulher para o feto) é outro problema sério. “Tem mulheres que descobrem que têm Aids no pré-natal. E só este ano foram cinco casos destes”, conta Lia.

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