Em três anos, programa Ambulatório do Fumo ajudou 345 pessoas a abandonar o vício
Desde 2008, o Programa Ambulatório do Fumo, de Francisco Beltrão, oferece informação e recursos — como consultas e medicamentos — na tentativa de ajudar fumantes a abandonar o vício. Um balanço divulgado nesta semana revelou que mais da metade das 690 pessoas atendidas neste período pararam de fumar. São 345 novos ex-fumantes que continuam sendo acompanhados por uma equipe multidisciplinar.
O trabalho realizado na unidade de Estratégia de Saúde da Família (ESF), no bairro Industrial, faz tanto sucesso que conquistou prêmio do Ministério da Saúde. Das 100 melhores experiências em saúde pública do Paraná, o Ambulatório do Fumo classificou-se entre os três finalistas. A entrega da premiação foi realizada no Congresso Estadual de Secretários de Saúde de 2010, em Curitiba.
Segundo o relatório da equipe que coordena o Ambulatório do Fumo, o programa se propõe a abordar três aspectos envolvidos na dependência do tabaco: o físico-químico — com medicamentos gratuitos preconizados pelo governo federal; e os aspectos psicológicos e referentes aos hábitos, por meio de apoio psicológico em grupo e individualmente.
Para ter acesso aos serviços gratuitos, o fumante deve se inscrever para participar das reuniões que duram apenas uma hora e são realizadas toda quarta-feira. Cada grupo é composto por 20 pessoas que assistem a uma palestra e podem consultar médico e psicólogo. Neste ano, os serviços se encerraram, mas serão retomados em fevereiro de 2012.
A equipe do ambulatório é formada pelo pneumologista Redimir Goya, a psicóloga Cláudia Antonelli, a enfermeira Jussara Pedroso e as técnicas de enfermagem Clarinda Razera e Sônia Prigol. “Sabemos que o fumo é um vício difícil de tratar. E não estamos aqui para oferecer apenas remédio, mas com a filosofia do por que a pessoa fuma e quais os motivos físicos e emocionais”, lembra Goya.
Ajuda das crianças
Para o médico, as crianças têm um importante papel social no combate ao fumo. “Elas cobram os adultos e eles se sentem envergonhados”, diz. E é na escola que se deve receber estas informações. “Os estudos demonstram que quanto menor o grau de instrução, maior a incidência de tabagismo.”
Entre os resultados obtidos pelo Ambulatório do Fumo, dr. Goya destaca a consciência acerca do vício e os seus riscos. “Mesmo sem parar de fumar, eles já demonstram que sabem que o cigarro faz mal. Mesmo quem fuma, não estimula os outros a fumar. Pelo contrário, quando alguém fala que quer deixar o cigarro, estas pessoas apoiam.”
Já a psicóloga Cláudia Antonelli conta que boa parte dos pacientes se recrimina por seu próprio vício. “Hoje não se fala mais em saúde sem se falar em prevenção. E o que eu percebo é que eles sentem vergonha porque fumam; porque não se sentem bem ao abraçar o filho ou porque chegam num ambiente e as pessoas percebem o cheiro do cigarro.”
Casal deixou de fumar
Em 2008, o casal Celso Luiz Gonçalves e Clenir Barbosa decidiu lutar contra o vício junto. Eles participaram da primeira turma do Ambulatório do Fumo. Celso deixou de fumar logo no primeiro encontro do programa. “Eu demorei uns 30 dias”, conta Clenir, que fumou durante 22 anos. “Com a ajuda deles [profissionais] não foi difícil, não.”
Clenir afirma que hoje se sente realmente livre do hábito de fumar. “Eu fumava de uma carteira pra mais por dia. Se estava bem, fumava menos. Se eu estivesse mais agitada, fumava mais. E não importava onde estivesse, tinha que sair pra fumar”, lembra Clenir, que já usou o dinheiro que gastava no cigarro em uma cirurgia plástica.
Serviço
O Ambulatório do Fumo atende de segunda a sexta-feira. O endereço é Rua Octaviano Teixeira dos Santos, bairro Industrial. O telefone para contato é 3523-0361. Quem preferir pode enviar um e-mail para [email protected]. Lembrando que novos grupos serão formados só a partir de fevereiro de 2012.





