Fumacê será aplicado em toda a cidade

Fumacê será aplicado em toda a cidade

Ontem foi dia de mutirão em todas as ruas do bairro São Cristóvão. 

Os casos notificados baixaram, o número de exames negativos passou a subir e as confirmações de dengue acalmaram. Mas isso não significa que governo e população devem recuar na luta contra o Aedes aegypti; este é o momento em que as ações precisam se intensificar. E é esta a estratégia da Prefeitura de Francisco Beltrão, que decidiu fazer mutirões e aplicar o fumacê em todas as ruas da cidade.

Segundo o último boletim epidemiológico, são 812 notificações até agora. Destas, 190 exames foram descartados, 377 estão em análise e 246 casos estão confirmados — apenas um deles é importado. “Nas últimas duas semanas caíram substancialmente os casos notificados. Mas isso não significa que não devemos manter os cuidados”, comenta o chefe da Vigilância em Saúde, Alfonso Bruzamarello.

Para manter o alerta da população e eliminar o vetor Aedes aegypti, o fumacê pesado — aquele que é aplicado de cima de um veículo — vai passar por todos os bairros. Serão cinco ciclos com intervalos de três a cinco dias. Em lugares de difícil acesso, serão os agentes de endemias com o fumacê leve que farão o serviço. A medida pretende acabar de vez com as possibilidades de proliferação do mosquito da dengue.

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“Vamos passar o fumacê em todo o território urbano. Isso deve levar uma semana. Aí vamos dar um tempo de até cinco dias. Nesta primeira aplicação morre a maioria dos mosquitos, mas ainda sobrevivem uns 40% que podem se proliferar rápido. Na segunda vez que aplicarmos, morre mais uma boa quantia. E assim por diante. Mas iremos fazer cinco aplicações. É pra acabar com o mosquitinho mesmo”, afirma Alfonso.

Para fazer o trabalho, a Secretaria de Saúde de Beltrão já está utilizando cinco caminhonetes disponibilizadas pela Secretaria Estadual da Saúde (Sesa).

A equipe conta com 33 agentes de endemias e outros 7 profissionais da empresa Sabiá Ecológico, contratada para ajudar nos mutirões de limpeza. E inclui, ainda, toda a população. “São 40 pessoas para percorrer 100% das residências”, diz Alfonso.

 

Pontos estratégicos para a fiscalização

Dos agentes de endemias, quatro deles fazem um trabalho paralelo. É a fiscalização nos pontos estratégicos, como borracharias, ferro velhos etc. São realizadas, por dia, até 20 visitas. A ação nestes locais com maior possibilidade de acúmulo de água também serve para reduzir as chances de proliferação do mosquito Aedes aegypti.

Portas e janelas abertas

Juliano Benvenuto Gazzi, da 8ª Regional de Saúde, reconhece que os casos estão diminuindo, mas lembra que a população precisa contribuir. Uma das formas é deixar portas e janelas abertas para que o produto expelido pelo fumacê entre dentro das residências. Ao contrário do que pensam alguns, o produto químico usado para matar o mosquito não é prejudicial aos seres humanos.

“A recomendação é cobrir gaiolas, claro, mas abrir toda a casa. O fumacê precisa entrar, porque a fêmea do mosquito vai estar exatamente onde tiver o seu alimento, que são os moradores”, explica. “Além do fumacê, que ajuda a acabar com os mosquitos, precisamos acabar com os criadouros. Esta sim é a forma mais eficaz no combate da dengue”, diz Juliano.

 

Boletim do Estado

No Paraná, conforme o boletim divulgado terça-feira, já são 767 casos confirmados até agora — 659 autóctones e 108 importados. A maior parte em Beltrão (246 casos), em Londrina (172) e em Foz do Iguaçu (92).

 

Origem da dengue

Tanto se fala sobre dengue, mas, afinal, quem sabe de onde surgiu ou quem começou com o problema que passou a fazer parte do cotidiano? A origem é controversa, e há relatos milenares dos sintomas em árabes, africanos e espanhóis. Quem esclarece é o médico infectologista Valdir Spada Jr: “É uma série de fatores sobre o vírus que infecta o mosquito, seja pelos hábitos noturnos, seja pela fisiologia própria do Aedes“.  

Mas o que é importante saber é que há outros vetores; que por sorte não circulam no país. “O Aedes aegypti não é o único vilão da história. Outros mosquitos podem transmitir dengue, é o caso do Aedes albopictus. Parece que recentemente foi introduzido na América Central”, comenta o médico.

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