Geral
Esta frase mexeu comigo nesta semana: “Suas recompensas na vida são determinadas pelo tipo de problema que você esta disposto a resolver para os outros.” Mike Murdock, seu autor, é um dos pensadores cristãos norte-americanos que mais compartilha idéias sobre a prática da sabedoria na vivencia de cada um de nós.
Existência com sentido é aquela que serve e no servir encontramos realização. Quem situa suas expectativas de auto-realização no ter e no amealhar, frustra-se porque pode conquistar bens e viver sozinho, ou quem sabe, com simulações relacionais. Digo isto porque as pessoas que lhe cercarão poderão não estar interessadas em quem você é, naquilo que você tem ou pode lhes proporcionar.
As melhores e mais significativas relações de vida residem na semeadura pelo outro e para o outro, e nesta semeadura nos plenificamos e realizamos. Por exemplo. Quando casei-me com a Rute, no altar, o Pr. Márcio Valadão, da Igreja Batista da Lagoinha, que celebrou o nosso casamento, nos disse: “Fernando, sabe porque você está se casando com a Rute? Você não está se casando com ela para ser feliz. Você está se casando com ela para fazer com que ela seja feliz. Por sua vez Rute, você não se casa com o Fernando para ser feliz. Você se casa com ele para fazê-lo feliz.” Esta é a equação matemática das relações bem sucedidas.
Um poeta musical secular descobriu este segredo e verbalizou-o desta maneira: “Ela me faz tão bem, me faz tão bem, que eu também quero fazer isto por ela.” Jesus disse: “A quem tanto se perdoa, este tanto há de amar”. Ou seja, o bem recebido em forma de semeadura de atitudes tende a ser retribuído em gratidão e atitudes tais por aqueles que o recebem.
Muitas vezes nos decepcionamos, é verdade, porque o bem ministrado aos outros nem sempre é acolhido ou devolvido como tal. Mas as pessoas falham e são limitadas, por várias razões. Existem síndromes de alma que impedem que as pessoas respondam ao bem ministrado de maneira positiva. Enfermidades e sulcos existenciais que, sem cura, jamais permitirão a presença do reconhecimento ou gratidão por aquilo que lhes foi entregue de nossa parte. O que fazer quando isto se der assim?
Continuar sendo quem somos e nos realizar em Deus naquilo que somos para as pessoas ao nosso redor. O fato de pessoas outras não responderem ao estímulo do bem não deve mudar a nossa perspectiva ou postura de benignidade. Se mudarmos ou nos endurecemos é porque o bem que advogamos presente em nossas condutas era, quem sabe, circunstancial ou motivado por interesse.
Portanto, “não nos cansemos de fazer o bem, porque em breve colheremos, senão tivermos desfalecido”, Paulo aos Gálatas 6.9.
*Pastor da Comunidade Batista Betel em Dois Vizinhos, palestrante, colunista e escritor.




