Por Pr. Fernando Alberto – Um dia desses eu e a Rute, minha esposa, fomos a um ambiente que tinha uma loja de brinquedos expondo as suas mais variadas opções. Estávamos apenas passeando, sem necessariamente a intenção de compra.
Rememorávamos juntos os brinquedos que havíamos comprado para os nossos filhos e, quem sabe, antecipávamos ali os sonhos relacionados aos nossos futuros netos, quando eles vierem, é claro.
Ao andarmos pelos departamentos específicos da loja deparamo-nos com diversos jogos interativos e brinquedos que inspiravam a interação familiar e a comunhão entre amigos. A moça que nos acompanhava gentilmente nos instantes em que nos deslocávamos dentro da loja dizia da atitude das crianças de hoje perante os jogos e quebra-cabeças, os quais alguns pais apresentavam para os seus filhos infantis, e com certa surpresa enfatizava o desdém destas mesmas crianças por aquilo que se oferecia. “Desinteressantes”, este é o adjetivo mais brando que estes filhos compartilhavam com os seus pais diante daqueles brinquedos.
A geração que aprendeu se individualizar diante da tela de um computador e hoje diante dos celulares não consegue admitir existir graça em interagir com outros, estes sem telas ou brilhos refletidos em seus rostos. Há para estes, nos games virtuais ou nas expressões de comunicação propostas pelos chats, pelas vídeo-chamadas ou lives maior força relacional do que estar com outro ou com os outros presencialmente.
“Avatarizar-se”, possuir e difundir um “alter-ego”, uma outra versão de si mesmo, faz com que muitos se sintam confortáveis e mais aceitos, com perfis distoantes da face real de si mesmos. Dá-se a impressão de poder ser quem ou o que se quiser sem, contudo, a realidade poder comprová-lo. A tecnologia que, em tese, serviria para nos aproximar, tornou-nos mais frios, mais distantes, mais ensimesmados. Até as crianças, portadoras de celulares dos pais ou já de sua propriedade, optaram por trancar-se no mundo virtual em detrimento aos instantes preciosos que poderiam viver na interação familiar, com jogos e brincadeiras interativas do mundo real. E em assim sendo, verdadeiramente “des-humanizados”.
Para assombro de tantos, precisamos dizer que hoje nos relacionamos muito mais com Inteligências Artificiais do que com as “inteligências pessoais” em conversas diretas.
Fazemos isto “monitorados” o tempo todo pelas escutas virtuais que pretendem nossos interesses por razões econômicas ou ideológicas. Faço aqui este alerta, no qual a carapuça nos serve a todos. Pessoas são melhores do que coisas, família melhor do que conquistas, sejam quais forem, possam se encontrar lá fora. Afinal, o Senhor Jesus nos disse: “De que adianta ganhar o mundo inteiro e perder a nossa alma”?





