Dificuldade de adaptação e baixas temperaturas foram alguns dos fatores para a redução no plantio.

No começo desta década, o cultivo de canola na região de Francisco Beltrão foi incentivado por duas de indústrias de biodiesel, pela empresa Irmãos Bocchi SA e pelo Sistema de Cooperativas de Produção e Comercialização da Agricultura Familiar (Siscoopafi). Em 2011, a área plantada chegou a 3.460 hectares, possivelmente uma das maiores da história da região.
Várias palestras e encontros técnicos aconteceram em Marmeleiro e Salto do Lontra para expor informações técnicas e as vantagens da cultura, como forma de estimular a expansão do cultivo e a renda dos pequenos agricultores durante as estações de outono-inverno.
Houve uma boa adesão de pequenos produtores ao cultivo da canola. O pessoal se sentiu estimulado devido ao alto valor pago pela cultura. Mas, a maioria dos que aderiram à atividade acabaram se afastando depois da primeira ou segunda safra.
Este afastamento se deu por pelo menos três fatores: excesso de frio em duas safras que causou grandes prejuízos; dificuldade de adaptação à cultura e as questões técnicas – é necessário uma mudança nas regulagens de plantadeiras e colheitadeiras – e à própria adaptação dos produtores à cultura. Neste ano, a oleaginosa ocupa apenas 85 hectares na região de Beltrão-Dois Vizinhos. Há registro de lavouras em Francisco Beltrão, Nova Prata e Renascença.
Apesar destas questões, o preço pago pela saca de canola se equivale aos da soja, já que se trata de uma oleaginosa. E as cotações têm se mantido estáveis, mas em valores expressivos. Normalmente, a produção se destina à produção de biodiesel.
Produtor rural aposta na canola como alternativa de renda no inverno
JdeB – Nesta safra, um dos poucos produtores que se dedicaram ao plantio de canola foi o beltronense Aldo Petricoski, morador da comunidade de Nova Seção. Ele plantou, com recursos próprios, cerca de 30 hectares em duas propriedades arrendadas. Mas ele se dedica também ao cultivo de soja, milho e trigo.
Para o plantio de canola, Aldo, participou de palestras e buscou informações. “Eu fui em palestras dos caras que moem (o produto) em Candói, O Teixeira que tem a G Alimentos, que faz o óleo”. Ele foi em busca de informações sobre plantadeira e colhedeira e também para o transporte no caminhão.
Apesar do cuidado para uma boa produção, Aldo conta que suas lavouras não estão muito boas. “Não tá muito bonita não, tá meia boca (risos), é muita chuva, aí caiu muita flor”, relata. A expectativa do produtor rural é colher de 20 a 25 sacas por hectare. Para alcançar esta produtividade ele torce para que o tempo comece a se firmar, com mais sol. Por causa das chuvas intensas de maio e junho, as plantas perderam muitas flores e não carregaram bem. “Até fui dar uma olhada hoje de manhã”, relatou terça-feira, 15, ao JdeB.
Numa das áreas a colheita começa provavelmente dia 20 de agosto. Mas o produtor salienta que “tem uma parte que é um pouco mais tarde, tavam mexendo com uns postes lá e daí não deu de plantar junto e daí ficou um pouco mais tarde”.
Aldo justifica que optou pela canola pela questão do período de plantio. “É que (se) não tem outra coisa pra plantar, tu planta trigo, e como não dava mais safrinha, e já era um pouco tarde, isso ali (a canola) dá no inverno, plantei dois anos atrás aqui e produziu bem, e deu um retorno razoável”, observa.
O agricultor diz ainda que “não perde nada e na hora de plantar o milho já tá colhido, não atrasa nada”. Se em nossa região o cultivo foi pequeno, na de Candói – Centro-Oeste -, foi maior, possivelmente pela proximidade com a empresa, áreas maiores.





