SUDOESTE DO PARANÁ

Família aposta na força da apicultura no Sudoeste


No interior de Santo Antonio do Sudoeste, produção de mel no Sítio Nova Canaã cresce com tecnologia e tradição familiar, enquanto setor enfrenta queda nas exportações em 2026.


Artur Faleiro, pioneiro na atividade, aos 86 anos, ao lado de Verando Pastorini (pai de Jairo), que continuam o trabalho com o mel. (Arquivo pessoal)

A apicultura no Sítio Nova Canaã tem raízes profundas em Santo Antônio do Sudoeste. A história começa com Artur Faleiro, hoje com 86 anos. Ele iniciou na atividade aos 18 e segue trabalhando ao lado do sobrinho Jairo Pastorini. Pioneiro, Artur participou das primeiras adaptações do sistema Langstroth na região. Em tempos de poucos recursos, a criatividade era essencial. “A primeira centrífuga dele era feita com quadro de bicicleta. Eu cheguei a conhecer. Era algo impressionante para a época”, relembra Jairo.

A decisão de investir na apicultura veio após a família retornar da cidade para o interior. A proposta era clara: construir uma renda sustentável e mudar o estilo de vida. O início, há cerca de cinco anos, foi marcado por dificuldades; equipamentos caros e pouca experiência exigiram paciência. Aos poucos, a atividade ganhou escala e organização. “Era um projeto para sair do emprego antigo e buscar algo diferente. A apicultura se mostrou viável”, conta o apicultor.

Jairo Pastorini uniu tradição e tecnologia na produção de mel.

Atualmente, o cenário é mais estruturado. A família integra um grupo de apicultores da região e conta com uma unidade de produção considerada de médio porte, equipada com tecnologia moderna. O espaço reúne balanças para controle de produção, máquinas de desoperculação, centrífugas eletrônicas e equipamentos ultrassônicos. Parte do processo já é automatizada, e novos equipamentos, como envasadoras, devem ser incorporados em breve. “A gente conseguiu automatizar bastante coisa, o que melhora a eficiência e a qualidade”, afirma o produtor.

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Apesar do avanço estrutural, a produção ainda enfrenta limitações naturais. As mudanças climáticas têm impactado diretamente o rendimento das colmeias. No último ciclo, o sítio operava com 85 colmeias, muitas ainda em formação. A expectativa atual é alcançar cerca de 2.500 quilos de mel, mesmo com a redução nas floradas. “As condições climáticas estão mais difíceis. Isso afeta bastante”, explica Jairo.

Queda nas exportações pressiona o setor

O Sítio Nova Canaã aposta na preservação da mata nativa e no manejo orgânico para fortalecer as floradas e garantir a pureza do mel.

O cenário enfrentado pela família reflete um contexto mais amplo. O mercado brasileiro de mel começou 2026 com forte retração nas exportações, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral) e da Agrostat Brasil.

No primeiro trimestre, o país exportou 4.562 toneladas de mel in natura — uma queda de 49,5% em relação às 9.040 toneladas do mesmo período de 2025. A receita também recuou, somando US$ 15,839 milhões, 43,7% a menos que os US$ 28,158 milhões registrados no ano anterior. Apesar disso, houve valorização no preço médio nacional, que subiu 11,5%, passando de US$ 3.114,84 para US$ 3.471,99 por tonelada.

No ranking estadual, Minas Gerais lidera as exportações, seguido pelo Paraná, que movimentou US$ 2,739 milhões com 804 toneladas embarcadas. Ainda assim, o estado também registrou queda, com recuo de 48,5% no volume e 45,2% na receita.

Foco no mercado interno

Diante desse cenário, produtores locais têm buscado alternativas. No Nova Canaã, a estratégia é fortalecer a venda direta. Com preço médio de R$ 35 por quilo, o mel tem boa aceitação, especialmente no oeste do Paraná. A regularização sanitária também abre novas possibilidades: com o Serviço de Inspeção Municipal (SIM) e o Susaf em processo de liberação, a produção poderá alcançar mercados em todo o estado e, futuramente, o país.

A propriedade mantém um forte compromisso ambiental. Dos 27 hectares, 19 são de mata nativa preservada. A área restante é usada de forma controlada, incluindo produção orgânica e planos de diversificação. Além da tradição e da experiência, o futuro da atividade já está sendo preparado: Samuel Pastorini, filho de Jairo, representa a terceira geração envolvida diretamente na apicultura.

Entre desafios de mercado e mudanças climáticas, a família segue apostando no mel como fonte de renda e continuidade. No Sítio Nova Canaã, produção e história caminham juntas, adaptando-se a um setor em constante transformação.

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