A intervenção do Estado nas empresas: o impacto no seu cotidiano

Um Estado grande é caro, e essa concentração de poder gera mais desigualdade do que igualdade. O Estado deve existir, sim, mas na sua essência, protegendo o cidadão — e não controlando empresas e fazendo conexões políticas para arrecadação de propina.

Depois do surgimento de empresas como Uber e Cabify, uma batalha foi travada pelos taxistas e governos contra a inovação. Os primeiros por nadarem de braçada no ramo de transporte individual e o segundo sobre como cobrar impostos dessa nova categoria. A luta foi demorada, mas não precisaria ser se os proprietários dessas novas empresas entendessem o funcionamento no Brasil: bastava imitar a JBS, ou alguma empreiteira da Lava Jato, pois o que eles querem são benefícios. Contudo, essa cultura não está presente em outros lugares do mundo onde o Uber iniciou suas operações, e até cair a ficha demorou um pouquinho. Favores políticos trazem facilidades para quem quer atuar no setor. O problema é que esses privilégios de atuação servem para melhorar a vida da empresa e dos governantes e não para melhorar os serviços ou torná-los mais baratos. O crédito subsidiado, agências reguladoras dificultando a vida de quem não entra no jogo da propina, regulamentos que inviabilizam a entrada de novas empresas no setor e patrocínios de empresas estatais são alguns exemplos de benefícios que grupos seletos de empresas possuem. Contratos superfaturados são os mais comuns, basta ler os jornais e constatar irregularidades por todo o país, sem contar dezenas de casos que passam ilesos. A Lava Jato desmembrou um esquema de corrupção, que deu nome a uma série no Netflix: “O mecanismo”, em que reuniões secretas definiam preços e quem iria ganhar a licitação. Esse “ganhador” deveria encher o bolso de políticos e partidos, financiando campanhas, mas para isso as obras podiam ser superfaturadas, tudo isso com dinheiro do povo. Outro estrago são os vultosos salários de indicados políticos nos cargos mais importantes das estatais, que, além de tudo, causam desânimo nos concursados que dão um duro danado para o funcionamento mínimo da estatal. Reduzir o Estado é uma solução viável para combater esses problemas. Restringir o poder da autoridade política em conceder benefícios pode inibir ações como as elencadas acima. Com certeza, não é a solução total, mas é parte dela, pois o que está acontecendo atualmente não pode ficar assim. Um Estado grande é caro, e essa concentração de poder gera mais desigualdade do que igualdade. O Estado deve existir, sim, mas na sua essência, protegendo o cidadão e dando-lhe condições de saúde e educação, equiparando situações controversas de pessoas à mercê de problemas crônicos, e não controlando empresas e fazendo conexões políticas para arrecadação de propina.

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