
As principais redes de varejo do país promovem nesta sexta-feira a Black Friday, data de promoções que promete descontos de até 80% em vários produtos. A promoção é inspirada na tradicional liquidação dos Estados Unidos – que ocorre no dia seguinte ao feriado de Ação de Graças. Estimativas do comércio eletrônico apontam para um faturamento acima de R$ 1 bilhão na data, com a realização de mais de um milhão de transações financeiras. Os principais negócios devem ocorrer por meio do comércio eletrônico, mas muitas lojas físicas também darão descontos.
A data coincide com o pagamento da primeira parcela do 13º salário. O comércio está de olho em parte do dinheiro que circula antecipadamente no país, mas quem pretende comprar deve prestar muita atenção nos preços que são praticados. Edições anteriores da Black Friday foram marcadas por problemas. Empresas elevaram os preços antes para dar um “desconto” depois.
A economista Fernanda Bezerra, docente da Unioeste de Francisco Beltrão, afirma que as pessoas não devem se precipitar com gastos supérfluos nesta época do ano. “Acredito que a melhor solução seja gastar somente o necessário, visto que o cenário para 2015 ainda é incerto. Assim, parcelas demasiadas no cartão de crédito devem ser evitadas, a fim de não comprometer a renda futura.”
De acordo com ela, a Black Friday deve ser olhada com muita cautela, visto que nos anos anteriores se mostrou fraudulenta, com o único objetivo de captar a renda extra do consumidor, sendo chamada nas redes sociais de “Black Fraude”, uma vez que os lojistas dobraram os preços antes para vender pelo preço original no dia. Ela afirma que muitas pesquisas apontam que o consumidor será mais cauteloso em 2014, portanto, a perspectiva para as vendas de final de ano é de crescimento menor.
O coordenador municipal do Procon, Anízio Cézar Pereira, observa que o consumidor tem que pesquisar para ver se os preços cobrados na Black Friday encontram-se, realmente, “em promoção”. Para isso é importante um comparativo de preços. Outra dica é ficar atento se o produto que está com desconto é o mesmo que estava sendo vendido originalmente. “Há lojas que pegam os produtos de devolução e colocam para venda novamente”
Para compras em sites, o consumidor também deve documentar as ofertas, salvando um “print” de telas ou, para lojas físicas, guardando o encarte da oferta e de confirmação da compra, a fim de evitar possíveis equívocos quanto ao preço ou mesmo ao próprio produto. Cézar observa que o consumidor não deve ser levado pelo impulso, ou seja, efetuar a compra só se realmente estiver precisando do produto.
Nas compras realizadas pela internet, o Código de Defesa do Consumidor determina até sete dias para troca e devolução do produto. Mas se a negociação é realizada em uma loja física, a empresa não é obrigada a trocar se o produto for retirado do estabelecimento e não apresentar defeito. Muitas lojas fazem isso para manter o cliente, mas não é obrigatório. “Se for produto eletrônico é importante verificar se existe assistência técnica na cidade. Do contrário a pessoa vai enfrentar muitos transtornos quando precisar dos serviços.”
Black Friday no Brasil pode sair mais caro que viajar e comprar nos EUA
Para o TechTudo
Por mais incrível que possa parecer, a Black Friday brasileira pode ser até 20% mais cara que fazer compras nos EUA, incluindo produtos, viagem e impostos. Segundo simulação da agência ViajaNet, promoções no varejo nacional durante a data não superam economia de viagens de compras no exterior. Mesmo com as promoções e descontos oferecidos pelo varejo brasileiro na Black Friday, que acontece mundialmente no dia 28 de novembro, ainda sai cerca de 17% mais barato viajar para os Estados Unidos e comprar os produtos em território norte-americano. É o que revela recente levantamento da agência virtual ViajaNet, que comparou os preços de alguns dos mais procurados aparelhos eletrônicos no Brasil e no mundo.
A simulação concluiu que os gastos no Brasil seriam 17% maiores do que nos Estados Unidos, mesmo com a compra de passagem, hospedagem, alimentação, transporte e tributação de 60% para uma pessoa. Se o consumidor da Black Friday decidir levar um acompanhante para Miami, por exemplo, ainda assim os gastos no Brasil sairiam 20% a mais do que toda a viagem e as compras de duas pessoas na ensolarada cidade da Flórida.
Levando em consideração apenas os valores gastos em mercadorias, as compras no Brasil custam 137% a mais.




