Setores de carne e leite são os mais prejudicados, mas agricultura também sentiu impactos.

Muitos agricultores levaram suas máquinas
para os bloqueios e também aderiram ao movimento.
Foto: José Delmo Menezes Junior/JdeB
Com tantos dias de paralisação dos caminhoneiros em centenas de pontos pelo Estado do Paraná, os impactos para o agronegócio já causam preocupação aos produtores rurais e empresas do setor. Com dificuldade no recebimento da matéria-prima e de suprimentos para a produção, frigoríficos estão paralisando suas atividades, laticínios têm dificuldade para receber matéria-prima e, no campo, avicultores sacrificam aves enquanto produtores de leite jogam o produto pelo ralo. Os prejuízos já ultrapassam a casa dos milhões e repercutem também na agricultura.
A safra de soja já apresenta dificuldades de escoamento. Segundo a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), 30% da soja do Estado ainda precisa ser retirada, sendo que 20% da safra ainda não foi negociada pelos produtores. Parte dessa produção é encaminhada ao Porto de Paranaguá, que na tarde de terça-feira estava com o pátio de caminhões de recebimento de soja vazio. Segundo a Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), em 24 horas, mais de mil caminhões de grãos de soja deveriam ter entrado no local, mas apenas 47 conseguiram chegar.
[relacionadas]
Apesar dos prejuízos e risco de desabastecimento, diversas entidades vêm manifestando apoio à greve nas estradas. Em nota, a Associação Brasileira de Proteína Animal manifestou sua posição quanto à greve: “A ABPA apoia as motivações da paralisação, mas entende que o movimento deve preservar o fluxo dos alimentos e dos insumos para a produção. É de conhecimento nacional a grave crise enfrentada pela cadeia produtiva de proteína animal, que há meses luta para preservar os postos de trabalho do setor. Impedir a continuidade da produção poderá gerar consequências graves para todo o País, especialmente nos pequenos municípios onde o sistema produtivo está instalado”.
Agricultores apreensivos no Sudoeste
Na região Sudoeste, os impactos da greve para a agricultura ainda não provaram prejuízos significativos, mas já geram transtornos. Segundo informou o técnico Antoninho Fontanella, do Deral/Seab de Francisco Beltrão, a região trabalha ainda na colheita do feijão e no plantio do trigo. Segundo ele, os insumos para o plantio do trigo já estavam estocados na região e, com isso, não houve interferências. “O que pode complicar é a falta de combustível, caso a greve permaneça por mais alguns dias”, diz.
Outra preocupação com a soja, que ainda tem produto para escoamento na região, e também nesta época do ano, é quando os insumos para o início da próxima safra começam a chegar nos portos. “Se continuar por muitos dias, pode demorar para começar a chegar os insumos da próxima safra, que inicia o plantio na metade de agosto, mas já são comercializados neste período. Também pode acontecer variação de preços dos produtos temporariamente em função desta situação”, afirma Antoninho. *Com informações da Gazeta do Povo.




