O índice é superior ao percentual do Estado, em que o número de mulheres cresceu 24% no mesmo recorte
de tempo.

O número de engenheiras tem crescido nos últimos anos, de acordo com levantamento do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR). A pesquisa aponta que o número de mulheres registradas no Conselho passou de 9.609, em 2014, para 12.546 neste ano – aumento de 24%. Na Regional Pato Branco do Crea-PR, que compreende o Sudoeste do Estado, o índice é ainda maior no mesmo período: 37%.
O engenheiro agrônomo Gilmar Ritter, gerente da Regional Pato Branco do Crea-PR, explica que, mesmo faltando pouco mais de um mês para o final de 2018, os números não devem sofrer alterações significativas até o ano acabar. Para ele, a maior presença das mulheres nas Engenharias deve-se a mudanças de comportamento na sociedade e também ao aumento do número de cursos na região.
“Tivemos um crescimento significativo nos últimos anos. São 23 cursos de Engenharia no Sudoeste, o que ampliou a possibilidade de ingresso das mulheres nas instituições acadêmicas”, relata.
A nova realidade também pode ser verificada na própria Regional Pato Branco do Crea-PR: dos 17 inspetores, cinco são mulheres.
Meio a meio
A engenheira agrônoma Marlene de Lurdes Ferronato é chefe da Inspetoria de Pato Branco do Crea-PR e professora doutora da UTFPR na área de Ciências Agrárias. Formada há 26 anos, Marlene compara o período em que foi estudante com as atuais turmas da universidade. “Quando entrei na faculdade, a turma tinha três mulheres. Hoje, no curso de Agronomia da UTFPR em Pato Branco, as mulheres são praticamente metade das turmas”, ressalta.
Marlene aponta a abertura do mercado de trabalho como uma das causas da maior participação feminina. “Anteriormente, as mulheres só trabalhavam nas áreas de pesquisa e educação. Ninguém contratava agrônomas para cooperativas, por exemplo. Agora, há muitas extensionistas, que trabalham diretamente com os produtores, nos aviários, na linha do meio ambiente, nas secretarias”.
Resistência na profissão
Apesar da presença cada vez mais constante, as mulheres ainda sofrem algumas barreiras para exercer a profissão. A engenheira civil Aline Dezorde Casarin, de Verê, é formada há dois anos e trabalha com execução de obras, mas diz que situações de questionamentos são comuns. “Para gente que lida a campo, ainda tem muita resistência porque estamos em contato direto com a mão de obra. Comumente existem questionamentos de outros profissionais em relação a nosso conhecimento técnico, algo que não acontece com meu namorado, por exemplo, que também trabalha com obras”, conta.
Comitê Mulheres do Crea-PR
Desde o início de 2017, o Crea-PR conta com o Comitê Mulheres, que objetiva fomentar o aumento da participação feminina nas decisões e em tudo que envolve o sistema Confea/Crea e as profissões da Engenharia, Agronomia e Geociências. Atualmente, o Comitê é coordenado pela engenheira agrônoma Márcia Laino, que, neste segundo semestre, tem liderado o trabalho do grupo na produção de uma cartilha contra o assédio no canteiro de obras.




