Beltrão

Richard Zajaczkowski, Cleusa Piovesan, Jaqueline Oliva, Ivo Pegoraro, Vilmar da Motta e Claudio Goes na última reunião do Centro de Letras de Francisco Beltrão.
Foto do Gilberto da Motta
Na reunião do terceiro sábado do mês, dia 19, os integrantes do Centro de Letras de Francisco Beltrão confirmaram o que já vinham propondo no último mês pelo seu grupo do Whatsapp: o lançamento de um novo livro de poesias.
A data é outubro de 2020, 22º aniversário do Centro, mas a produção já chegou. É assim: cada semana, alguém dá uma trinca de palavras e todos que tiverem inspiração produzem um poema que deve conter aquelas palavras. Dessa produção sairá o livro.
O que está sendo feito agora é um convite para todos que gostam de escrever e que, através deste projeto, desejem fazer parte do Centro de Letras. Para isso basta se inscrever (pode ser pelo Whatsapp; 046 98803-2064) e participar.
Seguem alguns poemas já produzidos.
Na semana que a trinca era “Vida – terra – saudade”, Jaquelina Oliva, de Dois Vizinhos, escreveu:
Para uma vida mais calma
Com leveza na alma
Sorrisos internos,
E abraços insanos
No cheiro da terra
Algumas memórias
Na saudade que aperta
Hoje e em todas as horas.
Na semana que a trinca era “Agraciado – Sombreada – Imagem”, Richard Jajaczkowski escreveu:
Sonhar não é proibido,
Proibido é cobiçar.
Agraciado é receber um dom,
um dom de ser aquinhoado.
Figura tosca e mal alambrada,
Mal alambrada e sem ligadura.
Sombreada por falhos desfolhados,
Galhos desfolhados que não encobrem a esplanada.
Refletindo em águas límpidas,
Águas límpidas e reluzindo.
Imagem brilhante e luminosa,
Brilhante e luminosa como o raio de passagem.
Para a trinca “Vida-Terra-Saudade”, Cláudio Loes, de Francisco Beltrão, escreveu:
Quando nasci
Ninguém sabia dizer
A vida que eu teria.
Aqui recordo
Minha terra natal
E agradeço
Por todas que conheci.
Hoje com saudade
Quero voltar
Para confirmar
Que ninguém sabia dizer.
Trinca: “Palavras – lentes – opacos”; Cleusa Piovesan, de Capanema, escreveu:
Meio-homem
As palavras dançam no papel
Sob as lentes embaçadas
De minha visão turvada
Causada pela idade
Com as retinas encobertas pela catarata
Não bastasse minha memória
Confusa, diluída
Perdida na dança das horas
Que o tempo me deu aos goles
Meus olhos opacos e minha mente atrapalhada
Tornaram-me um meio-homem
Atormentado pela insegurança
De perder o controle de mim mesmo
A tropeçar nas “pedras do caminho”
Ficando assim:
Meio tonto
Meio-fora-de-mim!
E a Domênica Minóia Trindade, de Francisco Beltrão:
Dizem que os olhos são a janelas da alma
Alma de gente caliente
Alma de gente inocente.
Talvez tenha almas que os olhos precisem de lentes
Pois há almas sofridas
Que desconhecem a beleza da vida
E quiçá despertem com o sorriso da gente.
E que as almas despertas
Espalhem os sorrisos recebidos
Esquecendo os dias opacos
Memorando somente os bem vividos
Benditas sejam as palavras
Escritas nestes versos por um coração amigo.






