Acesso melhorou, mas o quadrinho pequeno no canto da tela é desfavorável para visualização.

Quais os impactos das aparições dos intérpretes de Libras nos meios de comunicação no Brasil? Isso contribui com a comunicação dos deficientes auditivos ou não há interesse nas transmissões? As interpretações são satisfatórias? O JdeB procurou a comunidade surda para identificar o que está bom e o que poderia melhorar.
“Nós, surdos, precisamos de mais acessibilidade nos meios de comunicação. É muito necessário que tenha essa preocupação. Minha opinião é que a visibilidade do intérprete tinha que estar mais em destaque. Aquele quadrinho pequeno no canto da tela não favorece muito. Quanto às interpretações, no geral, dá pra entender, mas, assim como toda língua, a de sinais também tem vocabulário diferenciado em cada região, aí algumas coisas são mais difíceis de entender. Acho que ainda precisa melhorar esse tipo de comunicação”, diz Felipe Rocha Cavalheiro, 26 anos.
Seu amigo Lucas Rigon Link, que hoje completa 24 anos, pensa semelhante: “O tradutor intérprete algumas vezes fica muito pequeno e não consigo visualizar, teria que ocupar metade da tela. Em outros países já funciona dessa maneira, aqui no Brasil já tem lei e é antiga”. Lucas é surdo profundo e, na sua opinião, as legendas não são tão claras: “Porque existem dois tipos de sujeitos: deficientes auditivos, que não sabem a língua de sinais, são visuais e capazes dessa leitura da escrita do Português, e há alguns surdos que desconhecem essas palavras, os significados dessas palavras. Então, eles usam o tradutor intérprete. É um direito de igualdade”.
Para ser satisfatório, Lucas acredita que deveria ter pelo menos meia tela para o tradutor intérprete ou então apresentá-lo ao vivo numa entrevista, por exemplo, diretamente na língua de sinais. Ele observa que o trabalho do tradutor intérprete depende da sua fluência e da capacidade de contextualizar o assunto. “É uma conquista a valorização do tradutor intérprete como profissão.”
A entrevista com Lucas foi possível graças à tradução de Maria Daniela Mendes, que também está na luta pela acessibilidade dos surdos. “É um direito de todos, portanto, contribui muito, e é através da língua de sinais que os surdos têm acesso às informações diárias”, reforça Maria Daniela.
Central de Interpretação de Libras
Monitiely Kummer é tradutora e intérprete de Libras da Central de Interpretação de Libras de Francisco Beltrão, que presta o serviço de comunicação entre surdos e ouvintes em atividades consideradas simples para muitas pessoas, como agendar uma consulta médica ou ir ao banco. O objetivo é contribuir com a participação efetiva dos surdos na sociedade, preservando os seus direitos.
Monitiely destaca que a participação do tradutor intérprete na TV contribui com a inclusão dos surdos na sociedade e o reconhecimento da sua cultura. “Todo cidadão tem o direito à informação, os surdos muitas vezes são excluídos no processo de informação. A comunidade surda se sente atendida e vista, acredito que esse avanço é só o começo, precisamos de acessibilidade em todos os meios de comunicação.” Sobre as questões técnicas, ela confirma que os surdos sentem a necessidade do aumento da janela de Libras para visualizar as configurações de mãos.

Comunidade surda analisa o impacto dos tradutores intérpretes de Libras na TV.
Na foto, Felipe Rocha Cavalheiro assiste ao jornal, graças ao intérprete.





