Produtos fabricados em pequenas queijarias da região começam a ganhar as gôndolas dos supermercados.

O consumidor sudoestino, por vezes, para saciar a sua curiosidade ou paladar, acaba recorrendo a alimentos diferenciados fabricados em outras regiões e estados.
A opinião é do presidente da Associação dos Produtores de Queijos Artesanais (Aprosud), Claudemir Ross, de Chopinzinho, que participou do Café Acefb de terça-feira, 1º de dezembro, na Associação Empresarial de Francisco Beltrão, juntamente com o diretor-executivo do Sistema de Cooperativas Cresol, Luiz Panzer.
Eles abordaram o tema “O potencial do queijo artesanal no Sudoeste do Paraná”.
Durante a reunião, foram debatidos assuntos sobre pesquisas envolvendo comprovação da segurança no consumo de queijos artesanais e a assinatura de ato de regulamentação do Susaf (Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte), por meio de parceria envolvendo a Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), o Instituto de Desenvolvimento Rural do Páraná (IDR-PR), a Adapar e os serviços de inspeção municipal (SIM).
Claudemir, que é produtor de queijos artesanais em Chopinzinho, comentou que “a gente percebe que essa interação indústria, comércio, cidade, consumidor, produtor tem que ser cada vez mais harmonizada. Muitos consumidores, por falta de informação, acabam buscando saciar a sua curiosidade, saciar o seu paladar indo buscar longe os produtos, e a resposta tá próxima dele. Isso por falta de comunicação”.
Ele fez essa observação para informar que também passará a integrar o conselho diretor da Associação Empresarial de Chopinzinho (Acec).
Um prêmio ao empreendedor
O presidente da associação dos queijeiros destacou que, antes da regulamentação do Susaf, a legislação não permitia que um produtor comercializasse seu produto fora do município onde tem o seu negócio. “A lei do Susaf vem premiar e desburocratizar a comercialização em si. Como produtor, o máximo que nós sabemos é trabalhar”, ressaltou Claudemir.
Luiz Panzer, diretor-executivo do Sistema Cresol, historiou o apoio da instituição aos produtores de queijos artesanais da região Sudoeste. Em 2017, a Cresol, a UTFPR de Francisco Beltrão, a Emater (hoje IDR-PR), o Sebrae, o Ministério da Agricultura e Pecuária, entre outros órgãos, organizaram e fizeram estudo sobre o que poderia se fazer com o leite produzido na região. “Chegamos à conclusão, por essa pesquisa, de que nós temos uma riqueza muito grande, uma riqueza expressiva, que é o leite”, contou.
O Paraná se firmou como a segunda maior bacia leiteira brasileira, com cerca de cinco bilhões de litros/ano e o Sudoeste há dez anos se mantém como maior bacia leiteira do Paraná, com um bilhão de litros/ano. O sistema cooperativista vem, há anos, financiando as propriedades dos cooperados que atuam na atividade leiteira, visando melhoria das instalações e compra de equipamentos, máquinas e bovinos de melhor qualidade genética.
A intenção do estudo, conforme Panzer, era que o produtor não ficasse somente como “tirador de leite, mas com uma produção com qualidade”.
Produtores identificados
Pelo menos 40 produtores de queijos artesanais foram identificados pela Emater e aceitaram participar de um curso que teve duração de quatro meses, sempre às sextas-feiras, no auditório do Sistema de Cooperativas Cresol, em Francisco Beltrão.
Quando chegou na metade do curso, os produtores perceberam que tinham problemas em comum, que acabaram sendo minimizados com os conhecimentos adquiridos e a troca de informações.
A capacitação chegou ao fim com 20 produtores, que foram os fundadores da Aprosud. Claudemir Roos disse que os participantes foram desafiados “pra conseguir ter esses resultados que hoje a gente tá encontrando”, ou seja, o reconhecimento das autoridades e de consumidores e prêmios. “A gente não via só problemas, via oportunidades”, ressaltou Claudemir.
No final do curso, os empreendedores sentiram a necessidade de se organizar e fundar uma entidade que os representasse. “Foi uma associação que nasceu num berço técnico, com embasamento técnico. A gente viu o potencial com o leite e o queijo, mas viu tamanha responsabilidade que tava buscando com isso”, disse o queijeiro.
Pesquisa de segurança alimentar
Claudemir destacou a disponibilidade do campus da UTFPR de Beltrão, principalmente das professoras Fabiane e Andreia, que encamparam a causa do queijo artesanal e assumiram como desafio, provar tecnicamente, através de análises, que esse queijo pode ser produzido e consumido sem riscos, desde que a propriedade rural adote boas práticas de produção de leite — controle da brucelose e tuberculose e das células somáticas —, na transformação e na conservação do produto.
Os integrantes são muito gratos às instituições parceiras que viabilizaram o treinamento. Um dos nomes citados por Claudemir foi o técnico Diego, funcionário do Ministério da Agricultura, que apoiou e direcionou o grupo de produtores em relação às conquistas que poderiam ser adquiridas com os queijos artesanais do Sudoeste, inclusive em premiações. “Ele foi um dos principais motivadores pra estarmos participando de concursos.”
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