Manoel Brezolin, secretário em Francisco Beltrão, entende que, quando pelo menos os grupos de risco forem vacinados, haverá maior flexibilização.

A vacina contra a Covid-19 é aguardada com boa expectativa pelo secretário de Saúde de Francisco Beltrão. Mas, enquanto ela não chega, Manoel Brezolin acredita que vale a pena manter as medidas de prevenção orientadas pelos órgãos de saúde. São elas que têm garantido que não haja uma nova explosão no número de casos no município, apesar de os índices continuarem acima do esperado.
Em entrevista ao Jornal de Beltrão, o secretário analisou o comportamento das pessoas nas últimas semanas, em relação às medidas de prevenção, e disse que ainda é cedo para
avaliar os impactos das festas de final de ano no número de casos. Manoel também detalhou como estão os estoques de testes e medicamentos para tratamento da Covid-19 em Francisco Beltrão.
JdeB – Como avalia essas últimas semanas no município em termos de respeito às medidas de prevenção?
Manoel Brezolin – A gente vê com muita preocupação, porque as medidas recomendadas não são impossíveis de serem praticadas, são medidas bem razoáveis. Por exemplo: utilização de máscara. E aí a pessoa reclama porque ficar com a máscara é ruim, usa a máscara no pescoço porque a máscara atrapalha, sim, a gente sabe que a máscara atrapalha, muito melhor você ficar sem máscara.
Agora, se você imaginar aquelas pessoas que têm que trabalhar na saúde, que têm que usar máscara, avental, outro avental em cima, outro tipo de máscara para proteção, num calor de verão, no plantão muitas vezes de 12 horas, direto, isso é sacrifício, isso é difícil de ser praticado, mas eles precisam praticar.
Então, uso de máscara, distanciamento, lavar as mãos frequentemente, uso de álcool em gel e se reunir só com seu núcleo familiar são medidas facilmente praticadas e que temos certeza que, se isso tivesse sido praticado, nós não teríamos o aumento agora. Além da preocupação que a gente tem com relação ao sistema de saúde, que pode aumentar o número de casos e que dificulta o atendimento até das outras doenças, existe a preocupação também que, por não seguirem essas medidas simples, atrapalha a liberação, atrapalha a volta ao normal de outras atividades que têm um impacto muito grande na vida das pessoas. Pessoas que estão dependendo de voltar. Alguns setores para não perder o emprego ou para não falir definitivamente ou para recuperar sua renda. Inviabiliza a volta às aulas, volta às creches, a volta ao trabalho.
A gente gostaria que houvesse esse senso, esse entendimento de que, seguindo essas medidas simples, permite que a gente volte o mais rápido possível. Acreditamos muito na questão da vacina e claro que sabemos que vai ter dificuldade, até porque, por ser um país grande, com uma população grande, tem maior dificuldade, porque a gente está vendo que alguns países que estão vacinando têm uma população muito menor do que a nossa, mas talvez seja até um certo incentivo, por que é que eu vou relaxar agora se tá próximo de ter uma vacina? Entendo que a gente vai poder relaxar as medidas não quando vacinar todas as pessoas, mas quando vacinar pelo menos os grupos de risco.
A partir do momento que vacinar os profissionais de saúde, os idosos e os portadores de doenças crônicas, que são os grupos que mais têm tido problema com a Covid, essas medidas já vão poder ser relaxadas um pouco mais, que não vai ter mais esse impacto tão grande. Como tem uma perspectiva de que a vacina não deve demorar mais tanto tempo, acho que vale a pena manter as medidas até a chegada da vacina.
Qual a perspectiva para o número de casos nos próximos dias?
A gente tá angustiado, aguardando mais uns dias, porque é muito cedo ainda. Nós percebemos que já nestes dias teve um aumento no número de casos, esta semana, a média de casos já é um pouco maior do que semana passada.
E nós sabemos que houve um aumento significativo na movimentação das pessoas, que viajaram, que se reuniram, mas não tem como avaliar se essas viagens, se esses encontros foram feitos com os cuidados recomendados ou não. Se a pessoa se reuniu com o seu núcleo familiar e tiveram aqueles cuidados mínimos recomendados, nós não devemos ter aumento significativo no número de casos. Se a pessoa viajou, mas viajou com todos os cuidados recomendados, também não devemos ter um impacto tão grande.
A gente tem algumas informações divulgadas pela imprensa em locais onde se observavam algumas aglomerações sem os cuidados, mas tinha também algumas informações de pessoas que seguiam as recomendações.
Então, temos que aguardar mais uns dias, é preocupante, se nós fizermos uma média do número de casos desta semana, ela tá numa média de 30 casos. Então, se houver um aumento, para você passar de 30 para 40, 50, não é muito difícil, diferente de que se nós tivéssemos dez casos por dia e dobrou o número, foi para 20, ainda é um número que o sistema consegue atender com certa tranquilidade.
Agora, se nós tivermos de 35 para 70, causa um impacto muito grande. O número de internamentos não teve redução tão significativa e continua tendo número de óbitos ainda elevado.
Como está o abastecimento de testes e medicamentos para a Covid em Beltrão?
Nós não temos dificuldade com os testes, nós tivemos alguns períodos, ali no fim de novembro, início de dezembro, que aumentou muito o número de casos — e que aumentou no Paraná inteiro —, que tava demorando muito pra vir os resultados dos exames. Hoje, já voltou ao normal, a maioria dos exames a gente recebe no terceiro, quarto dia o resultado.
O que tem é que o sistema de saúde segue recomendações, precisa se enquadrar naquelas condutas definidas para que o exame seja o mais assertivo possível.
Por exemplo, o sistema não faz teste em pessoa assintomática, não é pela falta de teste, é porque entende que isso não ajudaria o sistema de saúde: o teste tem uma grande probabilidade de dar negativo, mas não descarta que a pessoa tenha a doença; enquanto que, se ela está sintomática pelo menos no terceiro, quarto dia e der negativo, é porque tudo indica que aquele sintoma é por uma outra doença, por um outro vírus, e não pela Covid-19.
Nós tivemos também, no mês de dezembro, dificuldade com alguns medicamentos que o município tem que adquirir e alguns medicamentos que o Estado fornece, mas que já vem abastecendo, remanejaram de outras regionais para nós e hoje não tem tido falta daqueles medicamentos essenciais utilizados no tratamento de Covid. Em relação a outros insumos também, como avental, máscaras, EPIs, seringas, agulhas, esse material, tivemos algumas dificuldades, mas nesse momento o município está bem abastecido.
Média de casos em Beltrão
Nesta semana, de segunda a quinta-feira, a média de casos de Covid-19 em Francisco Beltrão está em 45 por dia. É uma parcial mais alta que o total em três semanas anteriores.
Ontem, Francisco Beltrão registrou 49 novos casos de Covid-19, segundo boletim da Secretaria de Saúde. Seguem com o vírus ativo e em tratamento 213 pessoas.
No acumulado, Beltrão chegou a 5.374 casos confirmados e 5.104 recuperados. Ainda há 108 pessoas que aguardam o resultado do exame.
Outras 57 já morreram devido a complicações causadas pelo coronavírus.





