No Brasil, a média mensal é 16% maior que a de 2020; no Paraná, chega a 30% e em Beltrão, 31%.

Ano passado, foram divulgadas muitas notícias sobre aumento, ou não, de mortes, no Brasil, conforme a torcida de uns ou de outros. Por mais que se pesquisasse, os números mostravam que não havia nada de anormal. As variações anuais estavam dentro dos percentuais históricos.
Mas, neste início de 2021, é indiscutível o aumento de óbitos. Números confirmam o que se vê no noticiário de todos os dias — tem gente morrendo bem acima de um ano normal ou mesmo de início de pandemia, como foi 2020. E o acréscimo é maior na região e no Paraná do que no Brasil.
Os números usados para esta reportagem são do Portal da Transparência do Registro Civil. É bom anotar que são números que continuam variando, dia a dia, porque há registros antigos que ainda não foram baixados. Os números dos municípios e do Estado variam pouco, mas do Brasil inteiro sofrem alterações diárias, mesmo de 2015, o primeiro ano deste portal que é aberto e qualquer pessoa pode conferir.
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Média alta em 2021
No cenário nacional, o maior aumento de óbitos, em percentuais, havia ocorrido em 2016. Foi 13,6% superior a 2015, seguindo-se 2018 (12%), 2019 (5,7%), 2020 (4,9%) e 2017 (4,2%). Observe-se que 2020 ficou em quarto lugar, dos cinco anos que permitiram comparações. O ano de 2021 está apenas começando, mas a comparação pode ser feita pela média mensal.
Em 2020, morreram 1.454.397 brasileiros (registros são de quinta, 1º de abril), o que dá uma média mensal de 121.199. Nos três primeiros meses deste ano, foram registrados (até quinta) 422.182 óbitos, o que dá uma média mensal de 140.727, é 16% superior ao ano passado.No Paraná, a média dos três primeiros meses deste ano é ainda mais alta, 30%, e a de Francisco Beltrão, 31%. Pena que não dá para fazer uma comparação de Pato Branco. O total de óbitos, que de 2015 a 2017 era superior a 800, em 2018 registrou 605, em 2019 foram 595 e em 2020 apenas 309 e deste ano não há registros no portal do registro civil. Parece que nem todo o ano passado foi lançado e nada deste ano.

Funerárias registram aumento de até 300% em março
Almir Basso, proprietário da Funerária Santo Antônio, de Dois Vizinhos, diz que houve pequeno aumento de óbitos em agosto do ano passado e no início de janeiro deste ano. Para o restante deste período de pandemia, que já passa dos 12 meses, ele considera normal em seu município. Sua funerária tem feito entre 12 e 13 sepultamentos por mês. Ele está no ramo há 34 anos.
Em Pato Branco, um agente de funerária que pediu para não ser identificado informa que foram feitos 201 sepultamentos no ano passado, o que dá média de 16,7 ao mês. Em janeiro deste ano, foram 15, mas em fevereiro duplicou para 30 e em março triplicou para 45. De janeiro para março, o aumento é de 300%. E “a grande maioria é de Covid”. Renato Massotti, agente funerário do Pasc (Plano Assistencial São Cristóvão), que atende Francisco Beltrão e Pato Branco, confirma que fica claro o aumento de óbitos ocorridos neste início de ano. Para Beltrão, ele registrava uma média de 18 a 20 por mês. Em janeiro deste ano foram 29, em fevereiro 22 e em março 34.Para esta reportagem também buscamos informações com a Unifas, que, na região, atende Francisco Beltrão e Dois Vizinhos. Milton Nascimento não se encontrava na empresa e Vinícius, que teria números sobre o aumento de óbitos, estava afastado por ter contraído Covid. “Mas vocês não foram vacinados?” “Os agentes funerários, sim.”
Funerárias preferem tempo normal
Uma situação como esta seria boa para as funerárias, financeiramente? Seus diretores afirmam que não. Sem falar do maior risco de contágio, o trabalho aumentou, mas o rendimento não. Uma que os sepultamentos de vítimas de covid não têm velório, o que, em termos financeiros, agrega valor. Outra que o material — tanto urnas como luvas e aventais — está escasso no mercado e “com preços que subiram exageradamente e nós não conseguimos repassar esses aumentos”, revela Renato.
Outro fator é que tem morrido também muita gente de classes mais baixas, que não têm recursos financeiros e precisam do sepultamento social.Renato, que já foi goleiro do União, diz que tem trabalhado muito, mesmo que não tivesse a proibição do futebol pelo contato que pode transmitir o vírus, não lhe sobra mais tempo nem pra jogar bola. “É bem complicado — comenta —, é triste não poder se despedir de um ente querido, as pessoas pedem para abrir (o caixão), mas não podemos. Tá difícil trabalhar.”





