Geral

Luis Polhmann era o farmacêutico da comunidade; José Copelli foi por anos o inspetor local e Fioravante Grando, conhecido por ser o construtor que ajudou a erguer boa parte das residências de Nova Concórdia. Estes e outros dez pioneiros emprestam seus nomes às ruas do distrito, que é tão antigo quanto Francisco Beltrão, mas só teve suas vias nomeadas há exatos 23 anos, com a promulgação da Lei 2689 (26 de junho de 1998), pelo então prefeito Guiomar Lopes.
Antes, quase todas as ruas de Nova Concórdia eram denominadas pela numeração: 01, 02, 03… Um dos homenageados pelo município foi o comerciante Jacinto Ferri, que mantinha uma venda na esquina da avenida que hoje leva seu nome. Ele chegou ali numa época em que Nova Concórdia era um dos distritos mais movimentados de Beltrão, boa parte por estar a meio caminho para quem ia ou vinha de Verê. “Isso aqui vivia cheio de gente”, diz a viúva, dona Theolinda Seganfredo, apontando para a frente do bar. “A sede tinha cartório, farmácia, hotel, hospital, ferraria, sapataria e mais umas quatro lojas grandes”, completa.

Apesar do distrito ter encolhido e Jacinto ter morrido em 1988, o bar da família permanece aberto até hoje. Nova Concórdia tem esse nome devido a um acordo, uma ‘concordância’ da época em que a vila foi elevada a distrito, em 1961. É que os moradores do Rio do Mato também queriam ser sede de distrito e houve um entendimento para a criação de Nova Concórdia. Dois anos depois, Rio do Mato também foi elevado, mas acabou extinto como distrito em 1964. Antes de toda essa reorganização administrativa do território, a área de Nova Concórdia era conhecida por Lavourão. “É que antes de ter todo o povoado era muito mato, então a primeira clareira com uma lavoura se destacava na paisagem”, relembra Dercide Godinho, membro de uma das famílias mais tradicionais da comunidade.
Seu pai, Izidoro Antunes dos Santos, também dá nome a uma rua do distrito e foi um dos pioneiros. Ele chegou ao local em 1946, vindo do Rio Grande do Sul, com parentes e amigos. A família conta que eram 26 carroças de mudança e o grupo se instalou numa grande área de terras que hoje engloba diversas comunidades próximas. Izidoro tinha a agricultura por ofício, chegou a trabalhar como inspetor, mas ficou conhecido mesmo por sua atuação política. Era o representante do MDB no distrito e foi subprefeito por 16 anos. Morreu em 1988. “Todos os exemplos que levo pra vida vieram do meu pai: era um sujeito honesto, calmo, prestativo e que tinha inimigos na política, mas que fora disso se respeitavam”, comenta o filho Otacilio Godinho dos Santos, se referindo a Vitório Pesente, líder da antiga Arena, na comunidade.
Reconhecimento
Outra família tradicional no distrito — os Salvadori — é lembrada com o nome do patriarca na avenida principal. Eugênio Salvadori chegou ao local em 1953 e fez carreira com o corte, beneficiamento e reflorestamento de madeira. “Ele veio pra trabalhar com madeira, montou a madeireira em sociedade com o Pesente e passou a vida toda nesta atividade”, conta o filho Celmo.
A maioria dos homenageados com os nomes de ruas de Nova Concórdia eram agricultores. Celmo, no entanto, lembra que ao menos dois personagens já falecidos ainda precisam ter seus nomes eternizados na comunidade: o médico Jorge Kriger e o empresário Vitório Pesente. Com a recente ampliação do perímetro urbano do distrito, novas chances de homenagear outras pessoas em ruas devem surgir devido à implantação de loteamentos. É que a vila, que já foi uma das mais movimentadas do município, volta a atrair a preferência de quem quer morar num lugar tranquilo e com boa infraestrutura, mesmo de gente que precisa se deslocar todo dia à cidade.

Correspondências chegam sem o número da casa, mas com aviso pelo Whats
Mesmo com a identificação das ruas, as cartas e encomendas que chegam a Nova Concórdia são enviadas sem o endereço exato do destinatário. É que no distrito as residências ainda não são numeradas, mas um processo de mapeamento que vem sendo feito pela Prefeitura pretende organizar as quadras e a identificação de cada imóvel.
Na maioria das vezes, quem espera alguma correspondência precisa ir buscar no posto de atendimento dos Correios, que funciona em parceria com o município e para onde vão todas as cartas endereçadas aos moradores de Nova Concórdia.
A servidora Adriana Bonin é quem organiza a distribuição. “O pessoal dos Correios separa as encomendas e cartas que são daqui. Aí eu entrego as que são da sede do distrito porque conheço cada um e onde mora. Os que são de mais longe aviso pra vir buscar”, relata. Para facilitar o serviço, ela criou um grupo de WhatsApp com cerca de mil contatos, em que avisa diariamente o nome de quem tem correspondência.







