Nem mesmo as incertezas geradas pela pandemia foram capazes de frear os avanços da produção.

Da assessoria/Crea-PR e JdeB – Mais de 5,93%. Esse foi o índice de crescimento que, mais uma vez, coloca o Brasil em posição de destaque quando o assunto é piscicultura. Segundo levantamento da Associação Brasileira de Piscicultura (Peixe BR), a produção de peixes de cultivo saltou de 758.006 toneladas em 2019 para 802.930 toneladas em 2020, o segundo melhor desempenho desde 2014, ano em que os índices começaram a ser analisados. E o Paraná foi o maior produtor desta espécie de peixe.
Os resultados positivos, de acordo com especialistas, tendem a crescer ainda mais, principalmente quando se leva em consideração a produção de tilápias, um tipo de peixe de água doce. Só em 2020, o Brasil produziu 486.155 toneladas de peixes da espécie. Na conta, o Paraná lidera o ranking nacional, com 166.000 toneladas, seguido de São Paulo, com 70.500 toneladas e Minas Gerais, com 42.100 toneladas. Resultados que, segundo o engenheiro de pesca Ronan Maciel Marcos, professor e coordenador do curso de Engenharia de Aquicultura da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFSS), em Laranjeiras do Sul, são decorrentes dos constantes trabalhos de atualização e melhoramento realizados no setor. “Hoje, temos produtores buscando conhecimento, engenheiros qualificados no mercado de trabalho e cooperativas investindo de forma significativa nas tilápias. É um ambiente que prospera naturalmente e, com os investimentos em graduações, capacitações e estruturação geral do setor, fomenta o contínuo crescimento”, comenta.
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Mais peixes por espaço
Um dos exemplos que comprovam esse avanço é a criação. Há cerca de cinco anos havia capacidade máxima de criação de três a quatro peixes por metro quadrado. Hoje, a partir dos estudos e acompanhamentos de profissionais especializados, se tornou possível a criação de seis a oito peixes por metro quadrado. No quesito peso, também houve melhorias: em 2005, a média por tilápia era de 400 gramas. Hoje, já é possível encontrar tilápias pesando entre 800 gramas e 1,2 quilos.
“O grande responsável para que todo esse progresso continue ocorrendo é o consumidor, que levou a tilápia para a mesa e consome esse produto com muito mais constância. Porém, precisamos destacar a presença dos engenheiros de Pesca e Aquicultura e os técnicos da área, que estudam e pesquisam diariamente para que os produtores, na ponta da produção, tenham recursos mais avançados em termos de genética, manejo, recursos e produtividade”, salienta Ronan, que também é coordenador regional do Colégio de Instituições de Ensino (CIE) do Crea-PR, em Guarapuava.
Mais profissionais
Com a expectativa de formação de novos profissionais todos os anos, o engenheiro de pesca Arcangelo Signor, professor do curso de Engenharia de Aquicultura do IFPR, campus Foz do Iguaçu, garante: há espaço para muito mais profissionais. “A tilápia é um peixe que tem mercado aberto e grande ascensão no Paraná. Isso quer dizer que precisamos e continuaremos precisando de profissionais especializados que possam estar preparados para as demandas do mercado. No começo, víamos muitos filhos de produtores de tilápia saindo desse segmento. Hoje é o contrário: muitos deles procuram conhecimento e capacitação nas universidades para ajudar a família a aumentar a produtividade. No final, temos profissionais que contribuem com os produtores e colaboram para que toda a cadeia produtiva cresça”, relata Arcangelo.
Boas perspectivas de crescimento para o setor
A criação de peixe em cativeiro ainda não representa 1% do Valor Bruto da Produção (VBP) paranaense. Mas tem importância para vários municípios no Estado: 60% do VBP e 66% da produção de pescados vêm do Oeste, principalmente das regiões de Toledo e Cascavel, onde a tilápia representa mais de 95% do total.
No Paraná, a produção de tilápia cresceu 11,5% entre 2019 e 2020: foram 172.000 toneladas em 2020 contra 154.200 t no ano anterior. Um dos destaques é o modelo cooperativista, representado por importantes cooperativas como Copacol e C.Vale.
Segundo levantamento da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), em 2000 o País produzia menos de 200 mil toneladas de tilápia, peixes nativos e outras espécies e não participava do mercado internacional. Desde então (2000 a 2020), a piscicultura está praticamente quatro vezes maior, com produção de 802.930 toneladas/ano. A expectativa, portanto, é que em 20 anos o Brasil seja o maior produtor mundial de peixes de cultivo, com a tilápia ocupando a liderança.
97 engenheiros de pesca e 15 de aquicultura
De acordo com dados do Crea-PR, o Estado conta com 97 engenheiros de pesca e 15 de Engenharia de Aquicultura registrados na autarquia. A primeira especialidade diz respeito ao estudo do cultivo de organismos aquáticos em um espaço confinado e controlado, na maior parte dos casos. Já a segunda é ligada à retirada dos recursos pesqueiros no ambiente natural.
São cinco cursos de graduação nas áreas de Pesca e Aquicultura: Engenharia de Aquicultura na Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), campus de Laranjeiras do Sul; no Instituto Federal do Paraná (IFPR), campus de Foz do Iguaçu; na Universidade Federal do Paraná (UFPR), nos campi de Palotina e Pontal do Paraná; e de Engenharia de Pesca na Unioeste, campus de Toledo.
Com a expectativa de formação de novos profissionais todos os anos, o engenheiro de pesca Arcangelo Signor, professor do curso de Engenharia de Aquicultura do IFPR, campus Foz do Iguaçu, garante: há espaço para muito mais profissionais.






