Instituição quase foi extinta em 2012 e neste ano atingiu o melhor índice do Ensino Médio entre as escolas de menor nível socioeconômico do NRE.

Em 2012, o governo estadual cogitou fechar algumas escolas que não tivessem um determinado número de matrículas. Esse processo seria gradativo, começando com o sexto ano até chegar à extinção completa, e incluía também o Colégio de Vista Alegre, em Enéas Marques. A comunidade se mobilizou e hoje a instituição comemora a conquista do certificado ouro no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
Wagno da Silva, atual diretor, relembra que a comunidade e funcionários mobilizaram autoridades locais e regionais a fim de evitar o fechamento. Para isso, foi solicitado que a escola apresentasse um número mínimo de matrículas. “Conforme a secretária escolar da época, Jane Giacomelli, a então diretora Maria Berlatto reuniu um grupo de pessoas e foram nas casas dos alunos (vale aqui ressaltar que muitos moravam no distrito e arredores mas preferiam frequentar a escola localizada na sede urbana do município, muitas vezes pegavam o ônibus na frente da própria escola do campo) afim de convencerem os pais a matricularem seus filhos na instituição local.” Além disso, iniciaram um trabalho em parceria com a Assesoar para oferecer cursos e atividades voltadas para a educação do campo, porém, continuava com a mesma metodologia das demais escolas, o que não caracterizava uma educação dentro da modalidade especifica.
“Em 2015, quando assumiram novos pedagogos recém aprovados no concurso, (eu era da Escola Vista Alegre), em parceria com a Escola Estadual do Campo do Pinhalzinho, sentimos a necessidade de trabalhar com uma metodologia que aproximasse o sujeito do campo com a educação ofertada e nesse sentido surgiu o projeto de Extensão da Unioeste, através da professora Cecilia denominado: Processo de Reformulação Metodológica das Escolas do Campo e isso tornou a aprendizagem mais atrativa, pois ela parte da realidade do alunos alinhada com o conteúdo cientifico.”
[relacionadas]
Segundo Wagno, aliado a isso, um projeto junto à Justiça do Trabalho reformou totalmente a quadra de esportes – hoje a luta é pela cobertura – e o Projeto Escola 1000 ofertou uma reforma total no prédio. A comunidade se organizou e adquiriu utensílios de cozinha e instalou ar condicionado, pois um ambiente confortável favorece o processo de aprendizagem. “Para afastar definitivamente o fantasma do fechamento da escola, solicitamos a instalação do Ensino Médio, nos amparando na modalidade da Educação do Campo, o que a princípio foi negada. Não desistimos: juntamos nossas forças com a comunidade, as lideranças e o principal: com a Escola Estadual do Campo de Pinhalzinho, que possui Ensino Fundamental, e nos alicerçamos em ofertar uma continuidade do ensino metodológico da educação do campo. Conseguimos a aprovação e desde 2017 temos o curso médio em nosso estabelecimento.”
Certificado Ouro
Entre as escolas localizadas em área de menor nível socioeconômico, o resultado alcançado foi de 5,3 no Ensino Médio, colocando o colégio na primeira posição do Ensino Médio, no NRE de Francisco Beltrão. Quanto à premiação do Ideb, Wagno comenta que o objetivo é ofertar qualidade, mesmo diante das dificuldades. “Por exemplo, ainda não temos laboratório de Ciências, o que é exigência do Conselho Estadual, mas já estamos nos organizando com a comunidade para construir, pois se esperar do governo demora muito e se torna incerto. Mas ficamos muito felizes em atingir esse índice, pois quando realizamos a prova em 2019 tínhamos apenas três anos de implantação do Ensino Médio.”






