Por orientação médica, ela não poderia mais cuidar dos animais.
A paixão pelos bichinhos trouxe muitas consequências para Ângela Spíller, 50 anos. Algumas indesejadas, como problemas financeiros, pois as despesas em clínicas veterinárias são altas. Ela cuida de 48 cães e 24 gatos, numa casa alugada próxima ao Contorno Leste, no final do prolongamento da Avenida Júlio Assis. Sua dedicação aos animais começou há nove anos.
“Eu tinha uns oito cachorros e as pessoas vinham, pediam pra eu cuidar, que me ajudariam, mas deixavam e sumiam.” Ela chegou a ter 80 bichinhos, quando morava no Bairro Nossa Senhora Aparecida, só que logo precisou se mudar. Foi para o Bairro Nova Petrópolis, mas ela e os animais não foram aceitos pela vizinhança, então precisou partir de mudança mais uma vez, agora para o local atual, onde não há vizinhos próximos. Hoje, mora com a filha de 20 anos e com sua irmã Tânia Spiller Muller, que a ajuda com os cuidados dos animais.
Por orientação médica, Ângela não poderia mais cuidar dos bichinhos, pois está com fibromialgia, depressão e problemas na coluna. “Acabou me fugindo o mundo, porque eu quis salvar, mas não está fácil dar conta. É muito sofrido, não temos sábado e nem domingo.” Os animais estão disponíveis para adoção, mas as pessoas procuram pets de raça e a maioria dos que ela abriga é de raça indefinida.
Ângela trabalha como diarista numa clínica veterinária e na casa de um motorista de aplicativo, mas opta por deixar o pagamento com os patrões, para saldar parte das despesas, já que não tem carro e até mesmo os remédios ela recebe por meio de aplicativos, pois não tem como buscar. Todas as fêmeas estão esterilizadas, mas os machos estão sendo castrados aos poucos, pois alguns são de grande porte e os motoristas de aplicativo não aceitam levá-los no carro.
Sem água encanada
A situação piora porque na casa não há saneamento básico; existe um minipoço artesiano, porque não tem água tratada. Até a máquina de lavar roupas é enchida com o balde, sendo que é preciso lavar cobertores pesados dos cachorros.
Não há mais condições de acolher outros animais. “Só peço pelo bem-estar deles, precisamos de ração, remédios, produtos de limpeza e de uma baia, para evitar brigas, que podem até acabar em morte. Sempre trabalhei e dei conta, mas de quatro anos para cá a minha saúde está debilitada.”
Ângela usa bastante água sanitária para limpar o canil, por causa da grande quantidade de água que empoça. Além disso, as baias são necessárias, porque os cães brigam quando estão juntos e latem muito, principalmente quando vêem gatos, por isso a importância de separá-los adequadamente. Inclusive, quinta-feira, 21, dia da entrevista, teve uma briga e um dos cachorros precisou ficar internado, para levar pontos.
A Prefeitura de Beltrão, com apoio das voluntárias Leidiane Candido e Jéssica Zucco, fez algumas baias, mas não são suficientes. O poder público ajuda ainda com dois sacos de ração de 50 kg, mas não dá para o mês, pois um cão de porte grande consome até 500 gramas por dia. Ângela também tem ainda a colaboração de Edi e Carla Werkheuser, da Ong Arca de Noé.
Contribuição
Quem puder colaborar pode fazer PIX CPF 124 401 629 22, em nome de Ana Paula Costa.





